quinta-feira, 6 de maio de 2010

Foco nele

O discursinho de Vanderlei Luxemburgo após a partida entre Santos e Atlético-MG, na Vila Belmiro, foi um novo caminho encontrado pelo treinador para chegar ao mesmo objetivo que ele busca nos jogos em que ele sai derrotado: desviar o foco.
Ao reclamar das provocações que recebeu dos santistas, palavras repetidas antes e depois da partida, Vanderlei não disse que o Santos foi melhor na Vila, assim como o Galo havia sido superior no Mineirão, semana passada. Ao não abrir espaço para perguntas, Luxemburgo não precisou explicar a apatia do Galo na Vila, não precisou admitir que chegou a Santos achando que a classificação era questão de tempo.
Os jogadores do Atlético não achavam isso. A Imprensa mineira não achava isso. Boa parte da torcida atleticana não achava isso. Mas Vanderlei achava. Iria se vingar do clube do qual foi chutado em dezembro, quando a diretoria mudou. A briga deixava de ser por uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil, deixava de ser um duelo entre campeões estaduais. Passava a ser uma briga Luxemburgo/diretoria do Santos. A mesma diretoria que não permitiu a ele continuar, para tratar o clube como se fosse a casa dele.
Robinho provocou. Não precisava provocar. Vanderlei se doeu. Não precisava se doer. Entrou na Vila Belmiro obcecado pela vitória. Não para classificar o Galo, mas para a vingancinha pessoal.
Antes do jogo, deixou claro qual era o foco. Depois, tentou desviar esse foco. Não explicou a certeza que tinha de que o resultado obtido Belo Horizonte era bom, mas insuficiente. Não disse por que armou o time tão defensivamente. Não deixou claro o por que do time ser envolvido pelo Santos. Não. O problema foi Robinho. E quem fica de gravatinha no estúdio da TV e diz que foi só uma brincadeira.
Vanderlei disse que a história dele no Santos acabou. Para o Santos, já havia acabado faz tempo.
Torcida do Galo, Vanderlei é isso. Não liga para o clube, só para ele. E desvia o foco, chamando a atenção para ele. As linhas gastas neste espaço com esse assunto são a maior prova disso...

Era por isso

Em qual tecla eu vinha batendo desde a semana passada? O Santos caiu de produção na exata proporção em que passou a jogar com dois atacantes. Se tiver três homens de frente, joga mais solto, ataca em maior volume, chama a atenção do adversário e a defesa ganha um alívio.
Dorival Júnior escalou três atacantes na Vila Belmiro, diante do Atlético-MG. E o Santos se classificou às semifinais. Não deu espetáculo. Não precisava e nem tinha como, diante de um time bom como é o Galo, mas fez o resultado que necessitava.
Ainda pode melhorar e talvez a contusão de Léo ajude nisso. Se Dorival escalar Wesley na lateral-direita, Pará na esquerda e colocar Marquinhos no meio de campo, o time rende ainda mais. Dá para ousar. Dá para tentar algo a mais. Wesley, além de lateral, pode ser o segundo volante que Dorival tanto imaginou quando sacou André do time. O lateral exerce as duas funções na partida. Mas está provado que André não pode ficar fora.
Diante do Grêmio, zera tudo. Neymar não joga a primeira. Fará falta, mas se for só ele, dá para seguir. Serão dois jogos bem complicados. Se o Santos quiser ir à final, terá que jogar como o Grêmio. Pelo resultado.

Vazio

O Corinthians passou os últimos 10 meses obcecado pela Libertadores. Não se falava em outra coisa. Contratou, trouxe daqui e dali, inchou o elenco. De uma hora para outra, tinha mais meias que uma loja da Lupo ou da Malwee.
Veio Roberto Carlos. Veio Danilo. Veio Tcheco. Veio Iarley, o "Mr. Libertadores"...
Valia tudo: dividir e provocar divisões no elenco, abrir mão de Edno, formar um time para a Libertadores e outro para o resto. A não ser que o resto servisse como preparação para a Libertadores. Valia elevar os preços dos ingressos a níveis exorbitantes, dar todos os privilégios às torcidas organizadas, tratar o Pacaembu como o palco do título inédito.
Na primeira fase deu tudo certo. Em um dos grupos mais fáceis da competição, foi sossegado se classificar em primeiro. E foi o melhor no geral; oito decisões em casa e o título viria.
Mas o Corinthians perdeu para o Flamengo no Maracanã. Pela contagem mínima, um resultado perfeitamente reversível. Não reverteu. Bateu o desespero, o "complexo de Libertadores". Desnecessário. Dava para vencer, dava para fazer três ou quatro gols. Abalo psicológico geral. Nem parecia um time experiente.
A partir de hoje, ouviremos que estava tudo errado desde o início, que a divisão do time foi mal feita, que algumas contratações foram equivocadas. Ronaldo será criticado pela falta de comprometimento, Danilo será mal falado por não se encaixar no time. E Defederico, que não joga nunca?
Muitas perguntas, talvez algumas respostas. E, na cabeça do torcedor, apenas uma questão, ainda não respondida: por quê?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

E se fosse o contrário?

De 17 de dezembro de 1995 até hoje, o Santos disputou oito finais de competições. Foi campeão em cinco e vice em três. Isso sem contar as diversas semifinais em que foi derrotado.
Em nenhuma dessas ocasiões o nome do árbitro da partida é lembrado.
Sabem por quê? Porquê o resultado foi decidido entre os jogadores. Os 11 melhores ficaram com a vitória. O Santos foi melhor que o Corinthians no Campeonato Brasileiro de 2002, mas teve que bater palmas para o excelente Boca Juniors na Libertadores de 2003. A camisa pesou na final do Paulista de 2007, contra o São Caetano. E ninguém tirava o título estadual do Corinthians de 2009, com Ronaldo e cia.
Mas o título paulista de 2010 foi roubado, é o que estão dizendo desde domingo. A arbitragem prejudicou o Santo André. E não adianta argumentar, porque há uma resposta-padrão. "Se fosse o contrário, os santistas estariam chorando".
O lance é interpretativo.
"Se fosse o contrário, os santistas estariam chorando".
O Santo André colocou duas bolas na trave e nenhuma para dentro.
"Se fosse o contrário, os santistas estariam chorando".
Sálvio Spínola Fagundes Filho expulsou três jogadores do Santos. Se estivesse mal intencionado, não expulsaria nenhum, mesmo que eles merecessem, como mereceram.
"Se fosse o contrário, os santistas estariam chorando".
O Santos adquiriu a vantagem pelo que fez na primeira fase e venceu a primeira partida da final. O regulamento dizia que o Santo André precisava vencer por dois gols de diferença.
"Se fosse o contrário, os santistas estariam chorando".
Se a Federação Paulista tivesse interesse em dar o título para algum clube, daria para o Corinthians, que tem a segunda maior torcida do Brasil.
"Se fosse o contrário, os santistas estariam chorando".
O Santos que esqueça tudo isso e pense somente na Copa do Brasil. Se não se classificar, vai ter ex-santista rindo...

Alô, comandante!

"Para com isso. Você sempre vem com uma historinha. Uma hora é Cicinho, outra é Marcelinho...não tem nada...o Marcelinho só estava bravo por ficar no banco, como o Cléber (Santana) também estava..."
Resposta de Ricardo Gomes ao repórter Alexandre Praetzel, da Rádio Bandeirantes.
A pergunta era sobre o fato de Marcelinho Paraíba sequer ter dado a mão ao treinador quando foi entrar em campo, no jogo contra o Universitário.
Eram 40 e tantos do segundo tempo. Ricardo Gomes já estava pensando nos pênaltis. E Marcelinho sabe cobrar pênaltis.
Ricardo Gomes está um passo à frente de muitos treinadores, seja na competência, no conhecimento do assunto, na educação ou na ponderação.
Mas falta comando ao São Paulo. Isso está claro.
Só neste ano, houve casos com Dagoberto, Cicinho, Washington e, agora, Marcelinho.
Resta saber até quando...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Clima criado

"Ô Vanderlei, pode esperar, a tua hora vai chegar".
Isso ainda vai render. Haja o que houver na Vila Belmiro, quarta-feira.
Robinho é amigo de Vanderlei Luxemburgo. Isso é fato. Como também é fato que Robinho é uma eterna criança grande.
Pode realmente ter feito uma brincadeira com o ex-chefe.
Só errou na hora de escolher o local e o momento para fazer essa brincadeira, se é que foi brincadeira.
De qualquer maneira, poderia ter evitado.
Vanderlei vai usar isso a seu favor, podem esperar. Deixando a Vila Belmiro com ou sem a classificação às semifinais da Copa do Brasil, o treinador dirá, após a partida, que foi criado um clima, que temeu-se pela violência, que futebol não é isso etc etc. Se der Galo, Vanderlei dirá que foi a superação de um time que estava com o orgulho ferido depois de ser provocado sem motivos. Se der Santos, dirá que o time dele temeu pelo que pudesse acontecer fora do estádio, ficou intimidado pela provocação adversária.
Insisto: Robinho poderia ter evitado. Vanderlei usa a seu favor e muita gente usará contra Robinho, em caso de eliminação santista.
Agora, vocês sabem o que é maldade? É ouvir "Ei, Jamelli, vai tomar...", trocar Jamelli por Tardelli e levar essa informação para Diego Tardelli em Belo Horizonte. Isso sim, cria clima. É, no mínimo, uma irresponsabilidade, para não dizer criminoso.
Em campo, sem provocações, tudo é possível. O Galo é um time muito bem arrumado e está jogando de forma redonda. Encontrou o entrosamento que por vezes determina o andamento de uma partida. E o Santos, com os talentos que possui, reúne todas as condições de vencer por um, dois ou até três gols de diferença. Só precisa voltar a jogar como antes, ou seja, com três atacantes. Disse e repito: a queda de produção do time vem na mesma proporção em que André foi sendo deixado de lado. Há tempo para mudar, mas é preciso mudar. E logo.

Do jeito deles

A Gaviões da Fiel promete lotar o Pacaembu e empurrar o Corinthians à vitória sobre o Flamengo e à classificação às quartas de final da Copa Libertadores.
Até aí, tudo bem.
A Gaviões da Fiel vai distribuir 30 mil apitos para que os torcedores façam o máximo possível de barulho para tirar a concentração dos flamenguistas quando eles estiverem com a bola nos pés.
Até aí, tudo bem.
A Gaviões da Fiel promete levar milhares de bexigas pretas e brancas para enfeitar o estádio e ajudar a incentivar o Corinthias em campo.
Até aí, tudo bem.
A Gaviões da Fiel distribuirá panfletos aos torcedores comuns com recomendações sobre como incentivar o time. Baixa normas dizendo como o torcedor deve se comportar enquanto estiver dentro do estádio. E é bom que as regras da organizada sejam seguidas da forma mais...fiel...possível.
Até quando?

N(il)eymar

Campeão do mundo e artilheiro da Copa de 1978, com seis gols, o argentino Mario Kempes concedeu uma bela entrevista ao jornalista Flavio Prado, da Rádio Jovem Pan, no último final de semana.
Claro que o assunto envolvia Copas do Mundo de ontem e de hoje e a entrevista era conduzida pelas perguntas-padrão: "Mario Kempres ou Maradona?" E por aí afora.
Mas Flavio Prado resolveu mudar um pouco e perguntou ao argentino o que ele estava achando do futebol de Neymar. Se o menino deveria ser convocado para a Copa da África do Sul.
Mario Kempes não teve dúvidas: começou a discorrer sobre o que o jogador vem apresentando no Villareal, da Espanha.
Flavio interveio: "Não, esse é o Nilmar, que foi do Internacional. Muita gente aqui no Brasil faz essa confusão. Perguntei sobre o Neymar, do Santos".
O ex-jogador respondeu prontamente: "Não, esse eu não conheço. Conheço o Nilmar".
Começamos a ver que ainda falta muita coisa...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Campeão, mas...

Mas sofreu.
Mas tornou as coisas muito mais difíceis sem necessidade.
Mas achou que ganharia quando quisesse.
Mas achou que o Santo André não poderia dominar uma partida.
Mas tem Paulo Henrique Ganso.
Mas Ganso chama a responsabilidade para si no instante em que o time mais precisa.
Mas Marquinhos foi expulso de forma estúpida e irresponsável.
Mas Roberto Brum foi expulso de forma estúpida e irresponsável.
Mas o time não vem jogando nada e não é de hoje.
Mas sofreu a terceira derrota em quatro jogos.
Mas não vem jogando nada desde o instante em que André foi para o banco.
Mas por que André foi para o banco?
Mas dizem que foi pela necessidade de ter mais um volante.
Mas por que ter mais um volante se a característica do time era atacar e atacar?
Mas melhora a marcação, dizem.
Mas pra quê melhorar a marcação se dizem que a defesa não é ruim?
Mas se a defesa não é ruim, como explicar os 11 gols sofridos nos últimos quatro jogos?
Mas se a defesa é boa, como explicar os gols sofridos nos primeiros minutos das últimas duas partidas?
Mas quem se importa com isso agora?
Mas você vai questionar essas coisas com a taça na sua frente?
Mas não é o título que importa?
Mas a conquista veio.
Mas não deveria vir pelo nada que o time jogou nas finais.
Mas deveria vir pelo espetáculo que o time proporcionou até as semifinais.
Mas tem a Copa do Brasil.
Mas se não passar pelo Galo, muita gente vai mudar de opinião.
Mas como é possível?
Mas é fácil entender...

Ninguém viu

Ricardo Maurício, da RC, venceu a etapa de Nova Santa Rita (RS) da Stock Car, no tão falado Velopark.
Tão falado e nada mostrado.
Você viu a corrida? Nem eu...
É o ônus da exclusividade. Quem tem, faz o que quer com ela.
Não que a Stock Car faça alguma diferença.
Mas um pouco de respeito com o telespectador é sempre importante...