quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Haja caipirinha


Quer agradar alguns dos principais personagens da Fórmula 1? Pegue um copo, coloque pinga, limão, açúcar e gelo. Você ganhou um amigo.
Pode ser nos hotéis, nas churrascarias, onde quer que seja. Em nenhuma outra época do ano São Paulo fabrica tantas doses de caipirinha como na semana que antecede o GP do Brasil. Os clientes vão de pilotos a mecânicos e chefes de equipes. O bem-estar é uma das principais virtudes de quem faz a categoria.
Pilotos e equipes estão espalhados em hotéis da Zona Sul de São Paulo. Há alguns cinco estrelas em locais próximos a Interlagos. O Transamérica continua sendo o hotel oficial, embora poucos pilotos se hospedem lá. Mas o local recebe a cúpula da FIA (leia-se Bernie Ecclestone), abre espaço para o credenciamento e para as principais entrevistas coletivas.
Vânia Aibara, gerente geral de vendas, diz que o hotel vai estar com ocupação total até amanhã. A Williams está por lá. "São bons hóspedes; estão acostumados a viajar pelo mundo e não dão trabalho".
O hotel precisou aumentar em 30% o número de funcionários para receber todo esse povo. Governança e restaurantes são os principais setores. Por falar em restaurantes, o cardápio não precisa ser adaptado ao padrão europeu. "Eles gostam dos risotos e das massas".
No piano bar, a diversão é garantida. É lá que o pessoal faz um happy hour antes do jantar, tudo regado a boas doses de...caipirinha. "As saídas de caipirinha triplicam".
Hoje, como sabemos, pilotos são quase um produto. Antigamente não era assim. Vânia diz que Nigel Mansell, Gherard Berger e Alain Prost eram os caras mais simpáticos. "O Damom Hill tocava guitarra no piano bar".
Ah, o hotel serve um pudim de leite na sobremesa que costuma fazer sucesso. Parece que mesmo quem não está hospedado lá passa pelo restaurante só para matar as saudades.
Agora, quando o pessoal da Fórmula 1 quer se esbaldar, vai pra onde? Fogo de Chão. É uma das melhores churrascarias de São Paulo e fica próxima dos hotéis. Marcos Jumar Back, gerente de atendimento, diz que na quinta-feira o local fica simplesmente lotado. Adrian Sutil, Fernando Alonso e Jenson Button passaram por lá na terça-feira. Felipe Massa e Robert Kubica almoçaram na quarta. A BMW costuma fazer reservas para até 80 pessoas. Picanha, filé mignon e frango com bacon estão entre os espetos preferidos. E a bebida? Caipinha, muita caipirinha, ainda mais se for uma mesa composta por mecânicos.
"O Kubica é o mais simpático e brincalhão. Ele faz questão de pegar um espeto de picanha e tirar uma foto com os garçons. O Sebastian Vettel também é bem agradável".
Marcos confirmou que Ron Dennis é fã incondicional do miolo do contra-filé. Quando ele trabalhava na McLaren, entrava no Fogo de Chão, deixava uns dólares (ouvi falar em 500, nada confirmado) e ia para a mesa preferida. Todo mundo sabia o que ele queria. Michael Schumacher chegava a ir cinco vezes por semana. O alemão era simpático? "Não muito, ele é mais fechado, mas é mais simpático que o Kimi".
Ou seja, não é marketing. Raikkonen realmente é aquilo que conhecemos. Gosta da caipirinha (ainda mais ele), mas, de todos os componentes da bebida, deve preferir o gelo...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Curioso


Aos poucos, a Fórmula 1 se prepara para anunciar as bombas que todos já sabem que vão explodir. Agora, foi a vez da Williams anunciar o fim do acordo com a Toyota para o fornecimento dos motores.
Com a elegância de um lord inglês, Mr. Frank agradeceu o trabalho dos japoneses, que "sempre respeitaram a independência" da equipe.
Isso quer dizer o seguinte: as portas estão abertas para a Crosworth, que já tomou conta das novatas em 2010. USF1, Campos e Manor receberão esses motores. Dizem que há uma possibilidade de acordo da Williams com a Renault. Difícil...
E o que temos a ver com isso? Rubens Barrichello só está esperando a definição do campeonato para confirmar a transferência para a Williams. Serão motor e piloto novos. Mas, por favor, é tudo especulação...então tá...
Por falar em Barrichello, ele disse à Folha de S. Paulo que andou conversando com Roger Penske antes da temporada. Sim, nem ele achava que correria neste ano e pensou seriamente em migrar para a Indy. Mas como a FIA restringiu os testes e, segundo ele, Ross Brawn precisava de um piloto experiente e com vontade, era Barrichello mesmo.
Mais uma sobre o brasileiro: de tanto usar a camisa do Corinthians antes das corridas, conseguiu um patrocínio da Batavo para Interlagos.
As curiosidades sobre o Grande Prêmio do Brasil estão devagar, mas virão, ah, se virão...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Semana (da) corrida

Dia corrido, extremamente corrido, mas semana de GP do Brasil exige uma atenção maior.
A partir de hoje, tentaremos desvendar alguns mistérios dos bastidores da corrida. O que pilotos, mecânicos e chefes de equipes fazem quando estão em São Paulo; quais os hábitos, onde costumam ir...muita gente se prontificou a responder a essas questões.
Jenson Button já está em São Paulo. Vai se adaptar bem ao fuso horário, porque a temperatura não é problema para ele. Enquanto isso, Nico Rosberg diz que não fechou com a Brawn GP e que essa história de Barrichello na Williams é boato. Eu duvido. Para mim, está tudo certo.
Tem mais: a previsão do tempo indica chuva para domingo. Em 2003, praticamente não houve corrida. No ano passado, a chuva decidiu o campeonato.
Assim que as primeiras respostas sobre os bastidores forem dadas, serão colocadas aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Surpresa!!



Em 2005, Rubens Barrichello deixou a Ferrari e foi para a Honda. Houve quem tivesse a coragem de perguntar se ele teria mais chances de título a partir de 2006. O máximo que a Honda conseguiu foi uma vitória com Jenson Button na Hungria. Ao final da temporada 2007, em Interlagos, Barrichello clamou ao povo para que torcesse para ele conseguir seu primeiro ponto naquele ano. Na corrida, houve apenas um abandono, por estouro de motor...
No início de 2009, Barrichello estava aposentado. Quando a temporada começou, ele iria andar lá atrás, torcendo para completar uma prova. Nem nos anos de Ferari ele teve tantas condições de ser campeão como agora.
Na semana em que a ida de Barrichello para a Williams é dada como certa, surgem as perguntas sobre como será a temporada 2010 do brasileiro. E não há uma resposta concreta. Barrichello é uma eterna surpresa. O mesmo piloto que conseguiu a primeira vitória debaixo de chuva, saindo do 18º lugar, abriu passagem para Michael Schumacher a metros da linha de chegada. O mesmo piloto que teve uma Ferrari nas mãos e nenhuma chance de título, pode ser campeão com um carro dado como carroça.
Não fosse Barrichello essa surpresa constante e a análise seria simples: na Williams atual, esperamos pouco ou nada. Os ingleses não fazem o piloto campeão desde 1997 e há pelo menos quatro temporadas só fazem figuração no grid. É uma das poucas (senão a única) a manter o romantismo da Fórmula 1, algo mantido por Mr. Frank e Patrick Head. Deixando de lado a tragédia em todos os aspectos da passagem de Ayrton Senna pela equipe, o máximo é esperar que Barrichello feche sua carreira numa equipe tradicional. E que já foi grande. A não ser que os ingleses surpreendam como Barrichello. E como Ross Brawn.
Mas Barrichello não é alguém de quem se possa esperar algo. Ele sempre pode surpreender. E isso pode ser bom...ou não...

domingo, 11 de outubro de 2009

Don't cry for me



Não é só por culpa de Maradona que a Argentina corre o risco de não ir à Copa do Mundo. É com Maradona no comando que a Argentina pode ficar fora do Mundial.
A fórmula é antiga e muito conhecida: não basta ter um bom elenco; é preciso dar uma "cara" ao time, saber de que forma cada jogador pode render mais e procurar tirar o máximo daqueles que fazem a diferença. Isso sem esquecer um dos pontos essenciais: nenhum time vence sem entrosamento, mesmo as seleções que se reúnem em datas afastadas. Quanto menos testes forem feitos, maior é o padrão do time.
Alfio Basile deixou a Argentina na décima rodada das Eliminatórias, com 16 pontos, em terceiro lugar. Maradona, depois de sete jogos, está em quarto lugar, com 25. Foram três vitórias e quatro derrotas, incluindo Bolívia (6 a 1) e Brasil, em Rosario (3 a 1). Com Basile, foram quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas.
De alguma forma, tudo isso fez a Argentina enfrentar o Peru sob pressão. O Peru, pior time da chave sul-americana, que não conquistou nenhum ponto fora de casa. E nem precisava de um déja vú de 1978. A falta de qualidade peruana abriu o caminho para os argentinos.
A Argentina era infinitamente superior. Times melhores tecnicamente criam mais. Times nervosos criam e concluem mal. Times pressionados não recebem apoio e vão para o intervalo sem fazer gols. Mas times melhores continuam criando e marcam no segundo tempo. Times com talentos individuais se organizam para deixar o diferencial à vontade, ao ponto dele deixar de ser questionado por jogar melhor no clube que defende.
Ah, sim, o mesmo time superior é o time nervoso, que abre espaços e cede o empate. Mas o futebol por vezes é justo e permite ao melhor time vencer, nem que seja com um Palermo que nem saiu do lugar para tornar-se herói.
A Argentina joga por um empate. Nesta frase, a palavra "só" não pode ser empregada. Não se forem considerados os fatores Uruguai e Montevidéu, os adversários, que têm um ponto a menos. Se vencerem, mandam os argentinos para a repescagem. Mas e se por acaso, porventura, entretanto, o Equador vencer o classificado Chile, em Santiago? O mesmo Chile comandado por Marcelo Bielsa? Aí, nem com repescagem...
Argentina fora, então? Não dá para afirmar. Em 2002, o Brasil enfrentou a Venezuela debaixo da mesma pressão argentina diante do Peru. E quem foi o campeão do mundo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Obrigado, PVC



Tive a honra de conversar com um dos maiores jornalistas esportivos do Brasil: Paulo Vinicius Coelho. Por telefone, como manda a logísitica, e rapidamente, como exige o pouco tempo que ele dispõe. Mas o suficiente para constatar que competência e humildade podem, sim, caminhar juntas. PVC reúne as duas qualidades.
O pedido foi do blogueiro: reproduzir a coluna dele, publicada domingo passado, na Folha de S. Paulo. A autorização veio de imediato e o Autobola agradece.
O texto foi escrito antes do clássico Santos x Palmeiras. Se o treinador do Santos crê em perseguição de parte da mídia esportiva, vai começar a acreditar que os números também estão contra ele. Parabéns, PVC.

PAULO VINICIUS COELHO
Um clássico para o presidente
Marcelo Teixeira, que tem dado respaldo a Luxemburgo no Santos, irá sofrer se perder para o Palmeiras, digo, Muricy
Em resposta à coluna 90 Minutos, do jornal "A Tribuna", de Santos, o presidente Marcelo Teixeira cutucou Muricy Ramalho, na terça. Escreveu: "Foi Vanderlei Luxemburgo quem montou o atual grupo do Palmeiras, que lidera com folga. O técnico atual do alviverde não tem méritos na montagem do grupo, nem no trabalho posterior. Assumiu recentemente".
A mágoa de Teixeira tem data: 16 de julho. Naquele dia, o presidente do Santos formalizou a proposta para contratar Muricy Ramalho. Oferecia mais do que o Palmeiras lhe paga hoje, mas o técnico tricampeão brasileiro disse não.
Marcelo Teixeira tem razão quando diz que a montagem do grupo de atletas do Palmeiras foi feita sob o comando de Luxemburgo. Não tem razão quando diz que Muricy não tem nada a ver com a liderança.
Luxemburgo deixou o Palmeiras em quarto lugar, a cinco pontos do líder, e Muricy recebeu o time de Jorginho quando estava em segundo, com a mesma pontuação do Atlético-MG, o primeiro colocado.
Seu time fechou a rodada do último domingo cinco pontos à frente do mais próximo perseguidor. Se o Palmeiras tinha cinco pontos abaixo da liderança e hoje pode ter cinco de folga, algum mérito Muricy possui.
Marcelo Teixeira demitiu Vágner Mancini na décima rodada, com o Santos em 11º lugar. Serginho Chulapa assumiu interinamente, enquanto Teixeira tentava contratar Muricy. Dois jogos mais tarde, Luxemburgo pegou o time na 13ª posição. Hoje, o Santos é o 12º. Demitido, Mancini assumiu o Vitória na 18ª rodada, em décimo lugar. Em nove jogos, o Vitória saltou para sétimo.
É sempre difícil medir a interferência de um treinador que assume no meio da campanha.Muito mais fácil é entender que não é missão de Marcelo Teixeira analisar o trabalho do técnico do Palmeiras, como fez na terça-feira. Na Vila Belmiro, há quem se preocupe mais com o trabalho de Luxemburgo e se surpreenda com sua passividade diante de algumas atuações, como a de Fabão, no domingo passado. Recordista de títulos brasileiros, Luxemburgo costumava ser mais inquieto. Só uma vez terminou o Brasileirão abaixo do 12º lugar que hoje ocupa - em 2001, foi 18º com o Corinthians.
Como é o Palmeiras, e não Marcelo Teixeira, quem deve avaliar quem atua no Parque Antártica, vale lembrar. A direção verde julga que Luxemburgo ofereceu menos do que dele se esperava, em um ano e meio no cargo. E está feliz com Muricy.
No caso do Santos, há duas avaliações a fazer. A primeira, sobre o presidente. Marcelo Teixeira é o mandachuva do Santos desde 2000. Ainda não é oficial, mas será candidato ao sexto mandato consecutivo em dezembro. Como sua vitória são favas contadas, pode-se dizer que os sócios julgam seu trabalho bom, o que faz da outra avaliação a única que realmente conta: a do treinador.
Pelo que disse para "A Tribuna", Teixeira não tem dúvida sobre a qualidade de Luxemburgo. O técnico tem tudo para emplacar 2010 na Vila, montar um grupo desde o começo do ano, tentar fazer o Santos de novo campeão. Mesmo assim, é inegável que uma derrota hoje causará profundo desapontamento em Marcelo Teixeira. Uma derrota para o Palmeiras? Não, para Muricy.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Tantas vezes campeão...



O Fluminense já caiu. Salvo uma dessas manifestações sobrenaturais que vez ou outra aparecem nos gramados mundo afora, será na Série B que o grande Tricolor jogará em 2010. Grande sim. Pela história, pela tradição, pelos esquadrões que já teve. Pequeno hoje. Pequeno, resignado e triste.
De certa forma, faz-se justiça. O torcedor pode ficar bravo, xingar, ameaçar, será compreendido. Mas desde 2001 o Tricolor está na elite brasileira de favor. Vamos apelar para a memória.
Em 1996, o Fluminense caiu. Veio, então, a histórica virada de mesa. Por uma série de irregularidades ocorridas na Copa do Brasil, mais especificamente em jogos entre Corinthians e Atlético-PR, decidiram pela permanência do Fluminense na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Além das competições diferentes, o Fluminense não havia sido favorecido nem prejudicado na Copa do Brasil. Mas tudo bem, adiante...
Em 1997...o Fluminense caiu. Aí não teve jeito, seria demais virar a mesa novamente. Que jogasse na Série B. Jogou em 1998 e...caiu. Foi para a Série C.
Veio o ano de 1999 e o que deveria ser o início da recuperação. Título da terceirona e acesso garantido à Série B. Enquanto o Fluminense comemorava, surgiu a confusão Sandro Hiroshi/São Paulo/Botafogo/Gama. Resumo da ópera: o Campeonato Brasileiro de 2000 seria organizado pelos clubes, chamado de Copa João Havelange.
Os clubes, então, organizaram a coisa do jeito que bem entenderam. Fizeram três "divisões" (lembram do Malutrom?) e lá estava o Fluminense na primeira. Até aí, tudo bem, não era a CBF na organização. Fim da Copa João Havelange, um tal de São Caetano jogou a final, o Vasco foi campeão depois do alambrado de São Januário e vamos em frente.
Em 2001, a CBF retoma o comando. E coloca o Fluminense na primeira divisão, junto com Bahia e São Caetano. Vejam, no último campeonato organizado pela entidade, o Tricolor tinha conquistado o acesso à Série B, não à Série A. Enfim, está lá até hoje. Bahia e São Caetano já foram. Falta o último.
Mas o Fluminense não cai por obra divina. Não cai por existir um dia após o outro. Cai pela própria incapacidade. Um bom elenco (sim, pega as escalações, tem jogadores experientes de de qualidade), mas que não se acerta. Não se vê entrosamento, padrão tático, conjunto. Como a água chegou àquela parte do corpo em que você sai nadando mesmo sem saber, hoje você vê um aglomerado de jogadores tentando resolver a parada sozinhos. Conca, um excelente jogador, aposta somente nas faltas. O clube gastou os tubos para trazer Fred, brigou na Justiça por Leandro Amaral e onde estão eles?
Se o ambiente interno não é bom, a tática é fazer igual ao Palmeiras de 93/94 e ao Corinthians de 1999. Os grupos não eram unidos, mas os jogadores combinavam: "Vamos ser campeões e depois cada um que vá para o seu canto".
Se o Fluminense tentar copiar o Flamengo de 1995, com o ataque dos sonhos que esqueceu que era preciso jogar, ou o Santos de 2000 e sua fogueira das vaidades, o medo nem será mais o da queda iminente. Será o de demorar para voltar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Polska neles!



Poucas vezes a Fórmula 1 viu especulações tão concretas. Depois de Fernando Alonso ir para a Ferrari (tudo bem, foi a maior novela antes), Robert Kubica foi confirmado como substituto do espanhol na Renault. Ele está com 24 anos e correu pela BMW nas últimas quatro temporadas.
O chefão da Renault, Bob Bell, disse que os franceses estavam de olho no piloto polonês e não era de hoje.
Um curiosidade: Kubica pilotou pela Renault na categoria World Series e fez testes pela equipe em 2005, antes de entrar de vez na Fórmula 1.
A carreira na categoria máxima tem uma ligação direta com o GP do Canadá. Em 2007, ele sofreu um acidente sério e ficou em observação. Nada gravde. No ano seguinte, no mesmo autódromo Gilles Villeneuve, conquistou a primeira (e única) vitória.
Fora isso, conseguiu um desempenho satisfatório com um carro que era bom até 2008. Neste ano, os alemães não acertaram e o polonês pagou por isso. E a BMW sai da Fórmula 1 ao final do ano.
Ao lado dele, por enquanto, é Romain Grosjean. Mas o francês não está tão bem. Pode sobrar uma vaga para Lucas di Grassi.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Sim, sim" e "não, não"

"Lembro do que combinamos. E agora, é hora de falar".
Ter palavra é isso. Roberto Brum acertou com o Figueirense. Foram quase dois meses de isolamento no Santos, período no qual ele preferiu o silêncio. No penúltimo contato, disse que a opção se devia às "mentiras" que publicaram sobre ele. Pediu para esperarmos que ele acertasse a vida.
A história, quase todo mundo conhece. Brum levou um cartão desnecessário no jogo contra o Flamengo (dia 26 de julho, na Vila Belmiro), Vanderlei Luxemburgo ficou zangado e o afastou. A Central de Boatos divulgou que tudo aconteceu por questões religiosas. O vidente Robério de Ogum teria sugerido a Luxa a saída do jogador e Vanderlei, que já não ia muito com a cara dos evangélicos, teria aceitado.
Os fatos: Robério de Ogum não sugeriu nada a Vanderlei. O vidente disse, em uma entrevista ao blog do jornalista Ademir Quintino, que Brum passava por um momento espiritual ruim. E só. E Vanderlei, perguntado diretamente por este que vos escreve, disse não ter nada contra jogadores evangélicos. "Por mim, o cara pode ser macumbeiro, evangélico ou ateu". Outra verdade: Luxa já trabalhou com Muller, Zé Roberto, César Sampaio, Clebão...
Brum foi para Florianópolis, se instalou, começou a se acostumar e, na semana passada, fizemos o contato telefônico. Da concentração do Figueira, no Rio de Janeiro (enfrentaria o Vasco naquela semana), Brum falou numa boa. Não fugiu de nenhuma pergunta e foi claro nas questões que mais intrigam.

Roberto, o que aconteceu naquele Santos x Flamengo?
Meu irmão, quem joga bola sabe que é normal fazer uma pressão sobre a arbitragem, ainda mais quando se joga em casa. Eu já não havia concordado com uma marcação do Héber (Roberto Lopes, árbitro daquele jogo) e reclamei. Quando eu vi que seria substituído, fui até ele para fazer uma pressão a mais. Foi quando ele me deu o cartão.

O Vanderlei nem lhe cumprimentou na saída do campo. O que ele lhe disse no vestiário?
Ele chamou todo o grupo e disse a mesma coisa que disse para a Imprensa: que não iria aceitar esse comportamento.

Depois, foi tudo normal?
Sim, foi uma saída de jogo normal.

Como você ficou sabendo do seu afastamento?
No dia seguinte, cheguei para treinar e o Capella (Luiz Antônio Capella, diretor de futebol) me chamou na sala dele. Disse que o Vanderlei não queria mais trabalhar comigo. Já me informou que eu treinaria em separado e que a diretoria do Santos me dava todo o apoio para negociar um empréstimo.

E o que passou pela sua cabeça naquele momento?
Pensei: 'agora vai ser o tempo da caverna'. Eu, que estava acostumado a estar na mídia, agora ficaria isolado.

Você procurou o Vanderlei para saber as razões dele tomar essa decisão?
Não. Se ele já tinha decidido, não ia voltar atrás. Nem tive oportunidade de estar sozinho com ele depois disso.

Você acha que essa decisão foi motivada por questões pessoais do Vanderlei?
Acho que não. Ele não gostou de ver eu levar aquele cartão. Foi só isso.

Você entendeu a pergunta. Acha que teve alguma questão religiosa nisso? Influência do Robério de Ogum?
Não, não acho. O Vanderlei trabalhou com outros jogadores evangélicos e não tomaria uma decisão dessas por causa da minha fé. Ele não é disso. E também não acho que o Robério de Ogum tenha falado alguma coisa para ele.

Quais os jogadores do Santos que mais lhe deram apoio nesse período?
Todos. Não é demagogia, mas sou amigo de todos os jogadores. Não houve quem não me ligasse, não me desse uma palavra de apoio.

Por falar em outros jogadores, teve mais gente que saiu do Santos depois da chegada do Vanderlei...
É, mas o Fabiano Eller não acertou salários e o Domingos teve aquele lance infeliz (em um treino, o zagueiro quebrou a perna do goleiro Rafael em um dividida. Depois disso, foi emprestado à Portuguesa). Eu conheço o Domingos e sou suspeito para falar dele (lembra do episódio da mala). Falei com o Rafael e o prórpio goleiro isentou o Domingos de culpa.

A partir do seu afastamento, você começou a pensar em sair?
Ah sim. A notícia correu e alguns clubes se interessaram O pessoal do Figueirense me ligou no dia seguinte. Foi o primeiro clube a me procurar.

E como você está agora?
Muito bem, só pensando em ajudar o Figueirense a subir.

Roberto, você tem contrato com o Santos até o final do ano que vem. Você gostaria de voltar a trabalhar com o Vanderlei depoi do que aconteceu?
Com certeza, e acho que isso pode acontecer no ano que vem, porque meu contrato aqui só vai até dezembro. Eu acho que tenho muito a aprender com o Vanderlei e gostaria muito de ter essa oportunidade novamente. Não sou de guardar mágoa.

domingo, 4 de outubro de 2009

Um tempero alemão

Sebastian Vettel mostrou que realmente entrou no GP do Japão para colocar um pouco mais de pimenta na temporada 2009 da Fórmula 1. Ele venceu e deixou o campeonato ainda em aberto, embora Jenson Button tenha amplas chances de ser campeão no Brasil. Jarno Trulli foi o segundo e Lewis Hamilton o terceiro. Na briga interna da Brawn GP, Rubens Barrichello chegou em sétimo e Button em oitavo.
E vejam como ficou a classificação. Button foi para 85 pontos, contra 71 de Barrichello e 69 de Vettel. O inglês tem quase tudo para ser campeão em Interlagos. Só não será se Barrichello vencer e ele chegar de quarto lugar para baixo. As chances de Vettel ficar com o título são claras: basta que ele vença as duas provas que restam e a Brawn GP sofrer um tilt, com nenhum piloto pontuando.
O grid só foi confirmado pela manhã em Suzuka. E Barrichello acabou beneficiado. Perdeu uma só posição por não ter diminuído a velocidade em uma bandeira amarela durante os treinos oficiais e largou em sexto. Button perdeu três posições e foi para décimo.
Quando as luzes vermelhas se apagaram, Vettel se preocupou só em defender a pole. Conseguiu. Enquanto isso, Lewis Hamilton passou Jarno Trulli e pulou para o segundo lugar. As outras posições foram mantidas.
Antes dos primeiros pit stops, na volta 13, Adrian Sutil tentou ultrapassar Heikki Kovalainen e os dois carros se tocaram. Melhor para Button, que passou os dois e se mandou.
Hamilton abriu a primeira janela de pits, na volta 15. Button entrou duas voltas depois. Na volta 18, foi a vez de Vettel e Barrichello. Posições inalteradas.
Na volta 29, parecia que a Renault vinha com uma mega estratégia. Romain Grosjean parou e encheu o tanque. Fernando Alonso fez o mesmo na volta seguinte. De repente, uma só parada definiria a prova. Mas que nada!
Nova janela a partir da volta 37. Outra vez Hamilton abriu, mas viu sua segunda posição ruir duas voltas depois. Trulli, que o havia ultrapassado durante o pit stop, tinha tempo suficiente para entrar nos boxes e voltar à frente do inglês. Na volta 40, Vettel entrou e novamente voltou em primeiro.
A nove voltas do fim, veio um pouco de emoção. Jaime Alguersuari bateu feio sua Toro Roso. Nada grave com ele, mas o safety car foi para a pista. Saiu faltando quatro voltas, mas aí o pessoal apenas cumpriu tabela e Vettel seguiu o ritual dos vencedores.