segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Sim, sim" e "não, não"

"Lembro do que combinamos. E agora, é hora de falar".
Ter palavra é isso. Roberto Brum acertou com o Figueirense. Foram quase dois meses de isolamento no Santos, período no qual ele preferiu o silêncio. No penúltimo contato, disse que a opção se devia às "mentiras" que publicaram sobre ele. Pediu para esperarmos que ele acertasse a vida.
A história, quase todo mundo conhece. Brum levou um cartão desnecessário no jogo contra o Flamengo (dia 26 de julho, na Vila Belmiro), Vanderlei Luxemburgo ficou zangado e o afastou. A Central de Boatos divulgou que tudo aconteceu por questões religiosas. O vidente Robério de Ogum teria sugerido a Luxa a saída do jogador e Vanderlei, que já não ia muito com a cara dos evangélicos, teria aceitado.
Os fatos: Robério de Ogum não sugeriu nada a Vanderlei. O vidente disse, em uma entrevista ao blog do jornalista Ademir Quintino, que Brum passava por um momento espiritual ruim. E só. E Vanderlei, perguntado diretamente por este que vos escreve, disse não ter nada contra jogadores evangélicos. "Por mim, o cara pode ser macumbeiro, evangélico ou ateu". Outra verdade: Luxa já trabalhou com Muller, Zé Roberto, César Sampaio, Clebão...
Brum foi para Florianópolis, se instalou, começou a se acostumar e, na semana passada, fizemos o contato telefônico. Da concentração do Figueira, no Rio de Janeiro (enfrentaria o Vasco naquela semana), Brum falou numa boa. Não fugiu de nenhuma pergunta e foi claro nas questões que mais intrigam.

Roberto, o que aconteceu naquele Santos x Flamengo?
Meu irmão, quem joga bola sabe que é normal fazer uma pressão sobre a arbitragem, ainda mais quando se joga em casa. Eu já não havia concordado com uma marcação do Héber (Roberto Lopes, árbitro daquele jogo) e reclamei. Quando eu vi que seria substituído, fui até ele para fazer uma pressão a mais. Foi quando ele me deu o cartão.

O Vanderlei nem lhe cumprimentou na saída do campo. O que ele lhe disse no vestiário?
Ele chamou todo o grupo e disse a mesma coisa que disse para a Imprensa: que não iria aceitar esse comportamento.

Depois, foi tudo normal?
Sim, foi uma saída de jogo normal.

Como você ficou sabendo do seu afastamento?
No dia seguinte, cheguei para treinar e o Capella (Luiz Antônio Capella, diretor de futebol) me chamou na sala dele. Disse que o Vanderlei não queria mais trabalhar comigo. Já me informou que eu treinaria em separado e que a diretoria do Santos me dava todo o apoio para negociar um empréstimo.

E o que passou pela sua cabeça naquele momento?
Pensei: 'agora vai ser o tempo da caverna'. Eu, que estava acostumado a estar na mídia, agora ficaria isolado.

Você procurou o Vanderlei para saber as razões dele tomar essa decisão?
Não. Se ele já tinha decidido, não ia voltar atrás. Nem tive oportunidade de estar sozinho com ele depois disso.

Você acha que essa decisão foi motivada por questões pessoais do Vanderlei?
Acho que não. Ele não gostou de ver eu levar aquele cartão. Foi só isso.

Você entendeu a pergunta. Acha que teve alguma questão religiosa nisso? Influência do Robério de Ogum?
Não, não acho. O Vanderlei trabalhou com outros jogadores evangélicos e não tomaria uma decisão dessas por causa da minha fé. Ele não é disso. E também não acho que o Robério de Ogum tenha falado alguma coisa para ele.

Quais os jogadores do Santos que mais lhe deram apoio nesse período?
Todos. Não é demagogia, mas sou amigo de todos os jogadores. Não houve quem não me ligasse, não me desse uma palavra de apoio.

Por falar em outros jogadores, teve mais gente que saiu do Santos depois da chegada do Vanderlei...
É, mas o Fabiano Eller não acertou salários e o Domingos teve aquele lance infeliz (em um treino, o zagueiro quebrou a perna do goleiro Rafael em um dividida. Depois disso, foi emprestado à Portuguesa). Eu conheço o Domingos e sou suspeito para falar dele (lembra do episódio da mala). Falei com o Rafael e o prórpio goleiro isentou o Domingos de culpa.

A partir do seu afastamento, você começou a pensar em sair?
Ah sim. A notícia correu e alguns clubes se interessaram O pessoal do Figueirense me ligou no dia seguinte. Foi o primeiro clube a me procurar.

E como você está agora?
Muito bem, só pensando em ajudar o Figueirense a subir.

Roberto, você tem contrato com o Santos até o final do ano que vem. Você gostaria de voltar a trabalhar com o Vanderlei depoi do que aconteceu?
Com certeza, e acho que isso pode acontecer no ano que vem, porque meu contrato aqui só vai até dezembro. Eu acho que tenho muito a aprender com o Vanderlei e gostaria muito de ter essa oportunidade novamente. Não sou de guardar mágoa.

Um comentário :

  1. Muito bom. Gostei.

    Falando em Figueirense, o time está indo muito bem e tem chances reais de conseguir a classificação para a elite.

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