quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bruxas e mágicos

Em tempos de bruxas, falamos dos mágicos.
No dia 1º de novembro de 1987, Nelson Piquet conquistava o tri.
No dia 30 de outubro de 1988, Ayrton Senna conquistava o primeiro título.
Vamos dizer que o período outubro/novembro é um tanto quanto abençoado para o automobilismo tupiniquim.
Tudo bem que, depois de 1991, houve apenas a batida na trave de Felipe Massa em 2008, mas não dá para esquecer o que passou.
Porque falamos de um cara que mudava a configuração do carro aos 44 do segundo tempo porque sabia que aquele sistema o faria vencer.
Falamos de outro que chegou em um time com regras consolidadas e passou por cima delas.
Insubordinação? Pode ser. Prefiro dizer "personalidade".
Coisa que hoje não há. O que rola em 2012 é o "vou ajudar o time, cumprir o que determinarem".
Não foi só a genialidade. Foi também a forma como lidar com as circunstâncias.
Por uma questão de idade foi impossível entrevistar Ayrton. Houve e há tempo para entrevistar o sobrinho, a irmã, alguns amigos.
Nelson, sim, foi entrevistado. Falou daquele jeito debochado, irônico, autêntico.
Ganhou um "muito obrigado" ao final da conversa. Não só pela entrevista, mas pelo que fez anos antes de ser entrevistado...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Méritos que Brilham

Mereceu quem criou, inventou, forçou.
Mereceu quem achou.
Achou que era um gênio, que poderia resgatar, recriar, inventar.
Inventou, criou, levou e pagou.
Pagou caro.
São sete títulos mundiais.
São datas memoráveis, históricas. São expectativas criadas antes e durante para saber como proceder depois.
Já provocou eliminações em Copa América e em mais de uma Copa do Mundo.
Quem chorou uma vez riu na segunda. Às vezes foi o contrário, mas sempre houve o temor e o respeito que sempre cercaram o assunto.
Não se pega um clássico dessa aura, monta de qualquer maneira e joga-se onde for. Não se permite que os principais dentre os principais fiquem de fora. O duelo não permite, a disputa não proporciona essa brecha.
Não se joga em locais sem tradição, nome, história. Não se leva as disputas para locais onde são engatadas a segunda e a quarta. Não há divisões, há ou deveria haver a união dos povos em torno de um mínimo sentimento patriótico que talvez tenha restado em dois países tão sofridos, maltratados, derrotados, especialistas em criar gênios, esquadrões, resgate da comoção nacional.
Não se entrega algo tão grandioso nas mãos de quem não sabe sequer do que se trata. Não se entrega uma Ferrari nas mãos de quem não sabe onde fica o acelerador.
Não se omite a verdade em nome da promoção, dos direitos, do não poder execrar o próprio produto.
Era um clássico iluminado.
Restou o apagão.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Fechando a brecha

Ao mesmo tempo em que é apaixonante, cativante e arrasta multidões, o futebol tem lá as suas mazelas.
É um dos poucos, ou arriscaria dizer o único esporte (e por que não dizer atividade) que não pune de forma direta aqueles que não cumprem o objetivo do jogo.
Premia, sim, quem chega com mais frequência, mas não castiga a quem abdica de chegar.
Você não vê um time de basquete sem arremensar. Pode gastar os 24 segundos a que tem direito, mas nunca abandona a jogada que pode lhe valer dois pontos. Não existe time de vôlei que dê três toques na bola e a jogue tranquilamente para a quadra adversária, para que o time de lá dê três toques antes da devolução. Não há tenista que bata devagar na bola somente para o tempo passar.
Porque no vôlei e no tênis as partidas acabam nos pontos.
No apaixonante, vibrante e cativante esporte bretão, passar 90 minutos sem marcar nenhum gol nem sempre é uma tragédia. Ainda mais se você estiver no campeonato de pontos corridos, jogando na casa do adversário. Basta que 'os caras' não marquem e você sai com algum lucro.
O torcedor que pagou ingresso, o cidadão que foi para a frente da TV, a emissora que morreu com milhões para transmitir, esses não precisam de espetáculo. Afinal, que garantias tem o público do cinema de que o mocinho vai vencer o bandido e dar um beijo histórico na menina na cena final? Ou qual certeza tem o espectador do teatro de que o ator do monólogo está em um dia inspirado? Ele já recebeu o dele mesmo. Uma apresentação boa ou ruim não altera em nada a vida dele.
Mas o futebol-arte não é espetáculo. É um jogo. E há a brecha que permite a abdicação do objetivo máximo do esporte.
E se a brecha fosse fechada?
Sim, porque a regra mundial diz que 0 a 0, 1 a 1 ou 4 a 4 são apenas números. Haja o que houver, é um ponto para cada lado e estamos conversados.
E se não fosse?
Porque a vitória poderia valer três pontos e a derrota nenhum. Ok, é do jogo. Mas o empate com gols poderia ser premiado com mais um pontinho. Dois pra lá, dois pra cá. Se ninguém marcar, é um ponto para cada lado.
É só um ponto e pode não fazer diferença...aplique em uma competição por pontos corridos e veja os resultados.
Porque o espetacular Bebeto 3 x 3 Paulinho McLaren na noite dominical e junina de 1992 valeu o mesmo ponto para cada um que o terrível Bahia 0 x 0 Portuguesa na augustina quarta-feira de 2012.
Premiar dois times que foram buscar o resultado até o fim em uma partida em que, quiçá por justiça, não teve vencedor.
Possível é, tudo é possível. Mas pode não ser, se não quiserem...

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Resultado

Luis Alvaro Ribeiro enfrenta a primeira crise desde dezembro de 2009.
De lá até aqui, administrou a herança que recebeu. O que era bom, manteve e melhorou. O que não vinha tão bem mudou.
Não houve até agora tempo para uma avaliação, um balanço da administração. O Santos estava muito ocupado, levantando taças em sequência. Muito por consequência do que já havia no clube e outro tanto pelo que foi administrado e melhorado.
Neymar e Paulo Henrique, no clube desde a gestão anterior, foram mantidos. Robinho, cujo embrião surgiu duas administrações atrás, foi contratado.
Não havia nem 120 dias de gestão e uma taça a mais para o Memorial. Mais quatro meses e uma nova taça. Veio o tri paulista, veio a Libertadores.
Quem estava preocupado com a administração?
Dentro da cultura do futebol de resultados estava tudo maravilhosamente certo.
Um time que jogava por música, um treinador considerado um dos melhores do Brasil.
Mas futebol é resultado.
E quando o resultado é de 4 a 0 para o Barcelona, não é todo mundo que considera o adversário praticamente imbatível.
Entra o 'perder da forma como perdeu'.
Mas perder para o arquirrival na competição continental é inaceitável. Provoca lembranças.
Já não vinha bem, já não marcava tantos gols.
Mas futebol é resultado.
E o resultado abriu os olhos.
Agora, provoca revolta. Está tudo errado, é muita incompetência junta, do máximo mandatário ao menor dentre a ralé.
E se ganhar duas ou três em sequência?
Ah, sabe, futebol é resultado...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Cinco anos

Está claro que a dedicação a este espaço caiu quase 100%.
Por uma série de circunstâncias.
A data passou. Não foi esquecida, mas fatores externos impediram a postagem na data exata.
Era o dia 22 de julho de 2007.
Felipe Massa, da Ferrari e Fernando Alonso, da McLaren, sem sequer imaginarem que um dia estariam na mesma equipe (se é que a Ferrari é uma equipe só), disputaram quase a tapa a liderança do GP da Europa, na época disputado no alemão Nürburgring.
Claro que o espanhol levou a melhor.
Só que os carros se tocaram numa das disputas. Alonso não gostou. Ao encostar o carro, após a vitória, fez chabu, mostrou a avaria para as câmeras, só faltou ligar para a seguradora.
O resto as senhoras e os senhores devem lembrar.
Para melhorar, temos o vídeo em espanhol.
Com narração e comentários de torcedores de Alonso.
Especialmente para quem xinga o Galvão Bueno gratuitamente, cobra imparcialidade da crônica brazuca e suspira com as transmissões europeias...

Duas possibilidades

Poucas pessoas neste planeta chamado Jornalismo Esportivo merecem tanta admiração quanto Reginaldo Leme.
Não é só pelo conhecimento que tem a respeito de bólidos, asfalto, pneus, combustível.
Reginaldo (não o chamo de Regi, não tenho intimidade para isso) tem um acesso aos bastidores quase nulo para um brasileirinho, como um dia disse Rubens Barrichello.
Sem contar que o cara é humilde, gente boa.
Tive o prazer de entrevistá-lo em Interlagos. Na ocasião, perguntei duas coisas a Reginaldo: se o acidente que Felipe Massa sofreu na Hungria em 2009 deixou alguma sequela e se Felipe poderia estar escondendo alguma coisa para não ser arrancado do cockpit da Ferrari.
Há um exemplo clássico. Em 1987, depois de bater numa certa curva Tamburello, Nelson Piquet perdeu a profundidade da visão. Ele jamais disse isso à Williams, caso contrário seria proibido de correr. E foi campeão do mundo naquele ano.
Reginaldo respondeu que tanto Massa quanto os médicos (do piloto e da Fórmula 1) disseram que não. Quanto a esconder, alguma coisa, Reginaldo disse que só Massa poderia responder.
Massa já respondeu faz tempo. E disse que não esconde nada porque não tem nada.
Assim sendo, há duas grandes possibilidades: ou a Ferrari produz dois carros (o que não seria novidade) ou Massa contou uma meia-verdade.
Carros e condições iguais, com desempenhos tão paradoxais, é algo a ser no mínimo investigado.
Carros e condições diferentes, leia-se privilégios, é uma característica maranellística...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Culpa

Boa, Felipe, certinho.
Dois anos sem pódio, andando muito atrás do companheiro de equipe, possibilidade de dispensa.
É tudo culpa nossa mesmo...
http://br.esportes.yahoo.com/noticias/fase-ruim-fez-felipe-massa-121610427--spt.html

terça-feira, 10 de julho de 2012

Calmaria

Era um fim de semana com feriado estadual em São Paulo.
A frente fria deu o ar de sua graça.
O Santos ganhou a primeira no Campeonato Brasileiro.
Pronto, acabou. Um fim de semana prolongado e frio.
Isso até Paulo Henrique Ganso ir para a Seleção Olímpica e ninguém ter certeza de seu retorno.
Ou até Elano chegar a Porto Alegre com uma toalha (ou cachecol, sei lá) do Grêmio.
Um dia depois do jornalista Sérgio Luiz Corrêa publicar no Jornal da Orla que o volante quase chegou às vias de fato (leia-se 'saiu na mão') com Edu Dracena após o empate com o Corinthians no Pacaembu (leia-se 'eliminação da Libertadores').
Diz o Corrêa, via Urubulino, seu informante, que o capitão cobrou mais empenho e Elano não gostou.
Tentei falar com Elano quinta-feira passada.
Bati o rádio duas vezes e ele não respondeu. Não insisti.
Em outubro passado ele disse que não havia nada de errado e garantiu que voltaria a ser o velho Elano de sempre.
Gosto dele, cara gente boa. Torci por isso. Conheço o Elano há 12 anos. Torço por ele.
O que aconteceu de fato, sinceramente, não sei. E não afirmo aquilo que não tenho certeza.
Desconheço as razões para as saídas de Ibson e Borges.
E não faço a menor ideia se Ganso volta ou não.
O que sei é que há uma nova grande mentira da humanidade.
A que diz que, depois da Libertadores, as coisas ficam mais calmas...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mágico, Espetacular, Maravilhoso

O Corinthians não é mágico, espetacular, maravilhoso.
Seus jogadores, seu treinador e seus torcedores sabem disso.
O Corinthians pode ser campeão da Libertadores sem ser mágico, espetacular, maravilhoso.
Seus jogadores, seu treinador e seus torcedores esperam por isso.
Porque não há lei que obrigue ao campeão da Libertadores ser mágico, espetacular, maravilhoso.
A lei obriga o campeão a classificar-se na fase de grupos e ir vencendo no mata-mata.
E para vencer no mata-mata não é necessário ser mágico, espetacular, maravilhoso.
Basta ser eficiente.
E o Corinthians tem sido.
Tem sido porque adotou uma proposta de jogo defensiva, de segurar o ímpeto do adversário e buscar um ou outro contra-ataque.
E se nenhum adversário conseguiu derrubar essa proposta até agora, está provada a eficiência corintiana.
E eficiência é um dos méritos de um campeão.
Logo, o Corinthians terá méritos em uma eventual conquista.
Contou com a sorte, é verdade, seja com Diego Souza ou com aquela bola que não entrou em La Bombnera aos 47 do segundo tempo.
Mas se existe a tal "sorte de campeão", o Corinthians está com ela no momento.
Porém, não se ganha um título somente na sorte.
O do Corinthians, se vier, será na eficiência.
Sem ser mágico, espetacular, maravilhoso.
Como se o torcedor, quando estiver diante da taça, vá lembrar disso...

terça-feira, 26 de junho de 2012

Indicação

Não, não vou escrever.
Vou reproduzir o que escreveu o genial Bruno Vicaria em seu blog no Total Race.
Sábias palavras, para variar um pouco.

http://www.totalrace.com.br/blog/brunovicaria/2012/06/26/imediatismo-o-grande-mal-da-formula-1/