sábado, 17 de março de 2012

Melbourne - o grid

Ou a Fórmula 1 mudou muito, ou entrou em uma temporada atípica, ou vivencia um fim de semana atípico.
Vettel? Red Bull? Dobradinha da McLaren, com Romain Gorsjean se enfiando no pódio se a corrida terminar assim. O campeão de 2008 marcou 1min24s922 e nem precisou daquela volta rápida, cercada de expectativas, com todo mundo olhando para os monitores.
E assim está formado o grid em Melbourne.
Com Michael Schumacher em quarto, com as Ferrari lá atrás, com os brazucas lá atrás. Com campeão do mundo muito atrás.
Porque a Lotus não sabe se festeja o terceiro lugar do Grosjean ou se olha para Kimi Raikkönen e um pergunta ao outro quem contratou. O finlandês larga em 18º. Errou na volta rápida e nem passou do Q1.
"I don't care".
A Ferrari ainda vai melhorar. Deixa só começar a tempor...ah, é, já começou...
Um time que usa pneus macios no Q1, que tem um engenheiro que manda o piloto aquecer os pneus dianteiros quando a suspensão deveria fazê-lo...pois é, não é a Ferrari. E ainda teve Fernando Alonso saindo de traseira e parando na brita, provocando uma bandeira vermelha no Q2. Mesmo assim, tinha um tempo bom e quase ficou entre os 10. Quase, porque sai em 12º. E Felipe Massa em 16º, quase 1 segundo mais lento.
Bruno Senna larga em 14º.
Ainda há uma corrida para a normalidade voltar. Uma temporada para sabermos se aberrações temporárias podem acontecer. E pelo menos uns três anos para sabermos se a Fórmula 1 mudou mesmo.
Por enquanto, mudou...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Feliz aniversário, pai

Nesta sexta-feira meu pai completa mais um ano de vida.
Eu iria almoçar com ele, falar com ele e sobretudo ouví-lo. Não o abraçaria. Ele não é chegado a isso e eu respeito os limites que as pessoas impõem. Mas estaria lá.
Não poderei. E não por não querer, mas por força do trabalho. Enquanto as horas do aniversário dele passam, estarei entre aviões, aeroportos, conexões, imigração, troca de dinheiro e o inevitável medo do desvio de bagagens. É o retorno do Peru depois de quatro dias de intenso trabalho
Tabalho, numas, porque por mais que se rale, dá para se divertir. Falar em Peru é remeter qualquer pessoa a Lima e Machu Pichu, nada mais natural, mas jamais ouvi alguém dizer "passarei minhas férias em Chiclayo". Porque Chiclayo tem suas particularidades, mas não faz parte da rota turística. Mas aí vem a tal paixão pelo Jornalismo, a tal paixão pelo futebol, o Jornalismo Esportivo que te proporciona juntar tudo isso e, para dar o toque final, chega a tal Libertadores e a possibilidade de um time de Chiclayo estar nela. E de enfrentar o time da sua cidade.
E aqui estou. Feliz, muito feliz. Vivendo experiências profissionais que jamais serão esquecidas. Nem preciso falar sobre as experiências pessoais.
Estou feliz por estar longe do meu pai no aniversário dele. É possível entenderFoi meu pai quem me levou pela primeira vez à Vila Belmiro, para ver Marola levar o gol de empate diante do Botafogo de Ribeirão Preto. Foi ele quem deixou de descansar em várias e várias manhãs de sábado para ver o Santos treinar na Vila (sim, naquele tempo podia entrar). Só que, antes do treino, era preciso esperar a conclusão da leitura do jornal do dia, de preferência 'A Tribuna', um jornal que ele lia desde os tempos em que morava em São Paulo e queria saber o que se passava na cidade onde ele nasceu.
Foi meu pai quem me levou pela primeira vez aos estúdios da Rádio Clube de Santos. Foi ele quem incentivou o moleque de 9 anos a falar pela primeira vez em um microfone, em um programa ao vivo. Eram dele os textos lidos pelo mala de 10 anos que apresentou umas e outras vezes um programa de 25 minutos ao vivo.
Foi meu pai quem abriu o sorriso ao ver que o adolescente contrariava a mãe, que queria um filho médico, respondendo de forma direta: "Quero ser repórter esportivo de rádio. Quero entrevistar jogador, tomar sol, chuva, copadas e pilhas na cabeça". Foi dele um sorriso que se alastrou ao ver a entrada na faculdade de Jornalismo e ao ouvir pela primeira vez a voz do filho em uma rádio, agora profissionalmente.
Era ele quem ligava a TV diariamente quando o filho trocou de mídia. Não importava a data, a hora ou a emissora. A audiência estava garantida. E foi ele quem simplesmente continuou com o hábito de comprar jornais diariamente, mas com um pouco mais de ansiedade. Era preciso ver se o nome do filho assinava algum texto.
Este texto meu pai não irá ler. Ele e a internet não se conhecem e não vejo perspectivas de que isto aconteça um dia. Ele sabe que eu queria estar lá. Eu se que ele quer que eu esteja aqui. Dar parabéns pessoalmente, para ele, é banal. Ver o nome do filho na assinatura da matéria é o grande presente.
Então valeu, pai. Tamo junto, mesmo que separados!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Garantias lá no fundo

Está nas mãos da presidenta Dilma Roussef a lei que prevê o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nas obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Pelo Congresso já passou. Depende agora da caneta da presidenta.
Se ela sancionar, já era. Se vetar, volta ao Congresso.
A farra do boi estava prevista desde o anúncio de que o Mundial aconteceria em terras tupiniquins.
Uso de dinheiro público, desvio do que poderia ir para o que realmente o país necessita.
Dilma pode até vetar, mas não vai evitar.
E não vai evitar porque há muita gente interessada e interessante.
Há garantias de votos, aparições, popularidade.
Mesmo no momento em que Mr. Walckie anda na direção contrária.
É o momento de bater no peito, falar do orgulho de ser brasileiro. Dizer que aqui não é a terra de ninguém.
O povo pegará essa carona no momento devido, ou seja, quando a bola rolar no estádio que saiu mais ou menos muito mais caro que o previsto.
Não que alguém ligue para isso, afinal, no carro da carona há ar condicionado.
E ninguém se atreve a questionar no momento em que a pátria calça chuteiras, afinal, não se pode dar margem às dúvidas do amor à nação.
E nem precisa dar uma resposta a Walckie.
Basta mostrar que as obras estão de vento em popa.
Há quem faça isso sorrindo...

terça-feira, 6 de março de 2012

Perguntinhas (1)

E a fiscalização nas obras realizadas nos edifícios do Brasil?
Sem necessidade. Não houve mais desabamentos.
E as obras para melhorar as pistas dos aeroportos?
Sem necessidade. Há quase 5 anos nenhum avião escorrega, bate em um prédio e mais de 100 pessoas morrem.
E a sobrecarga de trabalho dos controladores de voos?
Quando um Legacy bater em um Boeing a gente pensa nisso...
E a Copa do Mundo??
Ah, é, foi mal aí...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Profissão Maldade

Essas são as primeiras palavras que escrevo hoje.
As primeiras de muitas que ainda virão. Curtas, longas, acentuadas, pontuadas, que sigam as regras ortográficas com o total da lealdade.
Os temas são muitos, diversos, variados.
E a intenção?
Denegrir, criticar, execrar, interpretar mal, exagerar e, se possível, matar.
É para isso que existo. É para isso que existem colegas espalhados nas redações de jornais, revistas, emissoras de rádio, TVs, sites etc etc etc.
Existimos para sensacionalizar, exagerar, denegrir, provocarmos discórdia.
Não somos dotados de inteligência suficiente para sabermos interpretar palavras, fazer a leitura exata do que o entrevistado quis dizer.
Interpretamos da maneira que nos interessa, do modo que provocará um aumento nas vendas, uma explosão na audiência.
Quem disse isso?
Muita gente.
O último foi Giovanni.
Primeiro, a entrevista ao jornal O Liberal. Disse que Paulo Henrique Ganso era isso, era aquilo, a família dele era aquilo outro.
Entrevista publicada e, claro, repercussão violenta.
"Quanto sensacionalismo. Por isso não gosto de dar entrevistas", escreveu o ex-jogador no Facebook.
Então não desse a entrevista. Não falasse nada, recusasse, fechasse a matraca.
Porque o cidadão fala, deixa gravar, diz que pode publicar e depois parte para os argumentos da má interpretação, do exagero, do sensacionalismo.
Muricy Ramalho e o Santos estão procurando Messi até agora.
O Barcelona não colocou um atacante de fato em campo, fez o que quis e Muricy diz que, se fizesse o mesmo, seria execrado pela Imprensa.
Ou seja, não soube ousar por culpa da Imprensa.
Levou um couro por culpa da Imprensa.
O clube não fecha a negociação com um jogador.
Porque não teve competência ou a porcentagem que iria parar nos bolsos acabou com tudo.
Mas a contratação não saiu porque vazou na Imprensa.
"Vocês atrapalharam".
Dunga estava na Copa de 2010 dizendo que não adiantava ganhar aquela Copa e perder a de 2014.
"Senão, vocês já vão falar".
Não chegou nem nas semifinais em 2010.
Existimos para aumentar, inventar, delirar.
Queremos vender, queremos fama, queremos audiência.
Somos maldosos, ruins, incompetentes.
O médico não sai de casa disposto a trocar um diagnóstico. O advogado não pensa em inverter uma causa. O engenheiro não tem a intenção de derrubar um prédio. O motorista não sonha em tirar os freios do taxi. O cozinheiro não planeja um modo fácil de deixar a comida estragar.
O jornalista sai de casa com a lista nas mãos.
As vítimas do dia.
A minha está quase pronta para hoje.
E já estou pensando nos nomes para amanhã...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Lei Geral, em parte

E vão votar a Lei Geral da Copa.
E vão cumprir o que é de praxe, porque a lei já está aprovada.
Nela estará a autorização para comercializar cerveja nos estádios durante a Copa do Mundo de 2014.
Mas só durante a Copa. E em copos de plástico. Que fique bem claro!!
Porque este país é sério, aqui temos leis.
Inclusive uma que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.
A mesma lei que não terá validade durante a Copa.
Mas só durante a Copa. E em copos de plástico. Que fique bem claro!!
A mesma lei que não prevê a comercialização de bebidas no entorno dos estádios, com os ambulantes, nos botecos e padarias próximos.
A mesma lei que vez ou outra cria um raio de 200 metros no entorno dos estádios. Dentro desta área, nada de bebidas.
A 201 metros, tá liberado.
Na casa do cidadão, salvo se a mulher reclamar, está liberado.
Porque a lei diz que o cidadão não pode comprar a cerveja no estádio, não diz nada sobre chegar ao local cambaleante.
Falso moralismo? Hipocrisia? Jamais. Aqui temos leis. E teremos as leis até junho de 2014. E continuaremos com as leis depois de junho de 2014. No miolo, libera. O patrocinador é legal.
Mas só durante a Copa. E em copos de plástico. Que fique bem claro!!

O cara

Deivid é homem.
Mas é homem na real concepção da palavra.
Já se sabia que é bom jogador.
E também que é dono de um caráter irretocável.
Um dos caras mais gente fina que já conheci.
Foi em 1999, no Santos, quando o garoto do Nova Iguaçu havia acabado de chegar.
Mal tinha um contrato na Vila Belmiro.
O garoto cresceu, foi para o Corinthians, Cruzeiro, voltou para o Santos, jogou na Turquia e foi parar no Flamengo.
E no Flamengo protagonizou o lance mais falado, comentado, repetido, zoado.
Acontece. Não tem que acontecer, mas acontece.
Não foi por isso que o Flamengo perdeu a vaga na decisão.
Felipe rebateu duas bolas para a frente, Léo Moura ficou mais preocupado em pedir pênalti, Ronaldinho Gaúcho...Ronaldinho Gaúcho...
O mundo não acabou. O mesmo Flamengo que está fora da final da Taça Guanabara pode ser campeão carioca. Tem que vencer a Taça Rio e se garantir na decisão.
Mas Deivid perdeu o gol. A conta vai para ele.
E o que ele faz?
Paga.
Paga quando concede entrevista na saída para o intervalo, quando volta a falar no fim da partida, quando, no dia seguinte, se lança na coletiva e fala o que tem que ser dito.
Porque Deivid é homem, é macho, tem caráter.
Outros, por muito menos, não falariam com ninguém. Já vi isso trocentas vezes.
Há quem faria pior: trataria com indiferença.
Sim, também vi.
Mas Deivid é homem, é fera, tem caráter.
Joga sem receber tudo o que deveria. Se lança, dá a cara a tapa.
Isso passa. Tudo passa. Palermo é ídolo no Boca Juniors e o cara que perdeu três pênaltis em uma partida.
Porque é mais fácil lembrar do negativo.
Tira o Deivid de campo.
E cadê o negativo?
Só pelo caráter dele, tem todos os positivos...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mil

Postagem número 1.000 do blog.
Sem nenhum motivo especial; apenas para marcar o número.
Não é aniversário de ninguém, nem data da morte de ninguém, apenas uma lembrança e nada mais.
GP de San Marino de 1982.
A Ferrari já tinha dado ordens expressas: se as circunstâncias favorecessem, Gilles Villeneuve venceria a prova.
Não esqueceram de combinar com Didier Pironi, o companheiro de equipe.
O francês que ignorou completamente o acordo.
Villeneuve morreu em Zolder naquele mesmo ano sem perdoar nem Pironi nem a Ferrari.
Duas conclusões:
1- Jogo de equipe é coisa antiga, ainda mais nos cavalinhos rampantes.
2- Sempre há um maluco que não dá a mínima para os jogos de equipe.




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tudo igual

Dizem, ouvi falar, ouvi dizer, me contaram, me disseram, tenho boas fontes...
E a informação é de que o Imperador há de cair.
Que na realidade já caiu, falta apenas a assinatura, oficialização, uma entrevistinha a um cachê módico e estamos conversados.
Troca, acabou, caiu.
E o que muda?
A rigor, nada.
Porque cai no papel, cai de direito, mas não de fato. Cai na hora de assinar os documentos, não na hora de estabelecer o texto que constará nos documentos.
Cai na hora do enfrentamento de câmeras, microfones, arquibancadas, aparições. Não na hora do que será dito aos microfones, da imagem que será captada pelas câmeras.
Cai deixando uma história de 23 anos oficialmente, mas deixando a cadeira para quem tem mais de 46 de corredores do poder.
Que não só conhece o sistema como contribui e contribuiu com seu estabelecimento.
E que trabalhará arduamente pela manutenção do sistema.
Não fica o legado, não ficam as boas lembranças, não vem a esperança.
Tudo está montado, costurado, esquematizado.
Porque esquema foi e continuará a ser a prática mais comum.
Talvez seja dedicada uma medalha pelos serviços prestados.
Isso se o novo ocupante não mandá-la diretamente para o bolso...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Esquerdos de Transmissão

E a discussão foi aberta.
Porque a Fox se fortaleceu, comprou os direitos de transmissão da Libertadores, não se acertou com a Net e vai saber quais jogos chegarão para a maioria dos telespectadores/torcedores.
A grande força futebolística, sobretudo nas questões internacionais, está, evidentemente, na televisão.
A televisão tem interesse em manter o monopólio.
E é muito mais importante manter o monopólio do que se preocupar em mostrar o evento.
Você compra os direitos, coloca um programa de televendas no horário e tem a garantia de que a concorrência não vai transmitir o evento.
Ou você compra os direitos e não se acerta com a operadora de Tv a cabo.
Porque a operadora de TV a cabo pertence ao mesmo grupo que detinha os direitos de transmissão, os quais agora são seus.
Eles não vão querer negociar com o "ladrão".
E você não está ligando a mínima, porque a TV a cabo não vai transmitir o evento. Os direitos são seus, somente seus, ninguém tasca.
E o telespectador fica sem acesso ao evento.
O telespectador?
Este não estava no contrato...