sexta-feira, 1 de março de 2013

Antes ele

Morreu.
Antes ele do que eu.
Eu não estava lá. Não fui, não iria. E se fosse, ficaria em outro setor. Não levaria nada que fosse abastecido com chamas, fogo, calor. E me posicionaria longe de quem usa essas coisas.
Estava no sofá, vendo pela TV, com opções de transmissões, mas vendo a que dá mais audiência. Talvez para criticar nas redes sociais, acusar de parcialidade.
Mas aí morreu, aconteceu, já foi, se foi.
Acontece, sempre pode acontecer.
Então, que se aproveite a situação. Que aproveitemos a situação. Que nos aproveitemos da situação.
Porque o que for falado repercute. O que for repercutido provoca aumento da fama, do conhecimento.
É a tal da audiência. O fim que justifica os meios.
O apresentador aparece mais que a notícia. O torcedor vai à Justiça garantir seu direito de aparecer, de ser a notícia.
Que se mostre, que se explore, que se procure frases de efeito.
São bonitas, as pessoas encaminham, retweetam, curtem, compartilham, dizem que também estão sentindo, concordam.
Que se busquem soluções. Aquelas que jamais serão colocadas em prática, mas renderão um pouco de fama, talvez por um pouco mais de 15 minutos.
E a razão disso?
Putz, esqueci.
Ah, sim, é verdade. Morreu.
Antes ele do que eu...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Como se reerguer

O Corinthians campeão do mundo começa com o Corinthians rebaixado em 2007.
A queda obrigaria o clube a mudar os rumos, mas sua iminência fez o clube mudar os rumos antes que a queda acontecesse.
Havia um novo comandante antes da queda e foi elaborado um planejamento para a hora em que ela viesse.
Veio. E as mudanças foram anunciadas na manhã seguinte.
Havia onde se basear: na paixão. Mas só poderia enxergar quem tivesse saído da base dessa paixão, do meio da torcida, de quem vai com o time e grita para o time: 'vai'.
Explorar a paixão, o sentimento, o conceito de jamais abandonar.
Ao time foi dada uma base, uma espinha dorsal.
Acesso. Que se foi fácil poderia ter sido difícil impossível, forçado.
O Corinthians campeão da Libertadores começa com o Corinthians caído diante do Tolima.
Seria a hora de mudar tudo. Seria, não foi.
Houve pulso para segurar o treinador. Loucura, insanidade, decisão errada.
A ele concedidos tempo e confiança.
Foi montado um time. Sem gênios, sem magia, apenas um time. Que por vezes joga feio, mas quase sempre eficiente.
Eficiência. O primeiro critério em uma Libertadores, talvez o principal em um Mundial de Clubes.
Enxergar o jogo, promover inversões de posições. Ser eficiente. Ser campeão.
Com méritos, todos os méritos.
Do subsolo ao topo do mundo...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Que dá, dá

O Corinthians da Libertadores vence o Chelsea da Champions League.
O Corinthians do Campeonato Brasileiro vence o Chelsea do Campeonato Inglês.
O Corinthians do primeiro tempo da partida contra o Al-Ahly faz frente ao Chelsea da partida contra o Monterrey.
O Corinthians do segundo tempo da partida contra o Al-Ahly sobe no telhado diante do Chelsea da partida contra o Monterrey.
O Corinthians diante do Chelsea entrá com a concentração no ponto máximo.
O Corinthians pode repetir o primeiro tempo da partida contra o Al-Ahly..

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Do subsolo à cobertura

A fama adquirida de raça, vontade e superação foi construída ao longo de 102 anos com uma somatória de pequenos, médios e grandes fatos.
Mas jamais a história do Corinthians escreveu capítulos tão belos, iniciados em tragédias incomensuráveis. Jamais houve glórias tão grandes construídas a partir do que se pode entender como fundo do poço.
O ápice que pode ser atingido em poucos dias parece secundário diante daquilo que já aconteceu. Porque ganhar o mundo ou ter a chance de vencê-lo é a consequência da conquista continental. E pergunte a qualquer corintiano o valor que teve a conquista continental.
Alguns acreditam que o ápice já foi atingido. Se o prêmio máximo vier agora, ótimo, mas se não vier não haverá suicídio coletivo.
A reestruturação corintiana começa no final de 2007, quando uma queda levou o clube a abrir os olhos e ver que a administração, embora vitoriosa no papel, capengava há algum tempo e precisava ser mudada. E só um fato muito convincente foi capaz disso. Ao anunciar alterações estrondosas no dia seguinte à queda, a nova administração mostrou que já estava preparada para o descenso e já pensava em como mandar o Corinthians de volta à parte que lhe cabe neste latifúndio.
Consistência.
Trazer um treinador, dar segurança a ele, contratar um time sem medalhões mas com uma cara, um RG, uma identificação.
Um ano depois, o retorno e, agora sim, com um medalhão. Por sinal, uma medalha tão grande que só na barriga dele para encontrar espaço.
Barrigudo, machucado, fora de forma, jogou muito durante seis meses. Títulos, consequência, resultados.
Estava no caminho certo e o restante aconteceria, era questão de tempo.
Até surgir a segunda tragédia. Inesperada, surpreendente, decisiva.
Alguém quis apagar o trabalho, terceirizou o serviço e disse: "Tó, lima".
Começar do zero, trocar do presidente ao faxineiro, fingir que nada aconteceu.
Somente a terceira medida.
O presidente ficou, desafiou tudo e todos e manteve o treinador. Respaldo, confiança, consequência.
O Corinthians de hoje é consistente, seguro, domina as situações. Há cinco anos mantém a espinha dorsal de Cristian/Elias, Elias/Jucilei, Jucilei/Ralf, Ralf/Paulinho. Quase sempre tem os mesmos nomes na defesa, um meia habilidoso e um atacante que mande a bola pra dentro do gol.
Chegou onde queria. Pode ir mais longe, mas se não for não será necessário começar tudo de novo.
Perder um Mundial não é tragédia.
Se for, espere por mais vitórias nos próximos anos...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

No dos outros

Torcedor é tudo igual.
Não, não é uma afirmação, nem a conclusão de um estudo da mega universidade da Europa, desenvolvido por uns nerds que jamais sujaram o traseiro no cimento da arquibancada.
É um fato nu e cru, puro e simples. Um fato, uma verdade.
Torcedor é tudo igual.
Léo falou o que quis e ouviu o que não quis.
Sabia que isso ia acontecer. Não chegou agora. Sabia que haveria reação. Provocou mesmo, na cara dura.
Exagerou ao estabelecer o parâmetro aeroporto/rodoviária.
Virou mito.
Mas a torcida para o Barcelona foi uma afronta.
Não, a torcida para o Barcelona faz parte do futebol, da brincadeira, da rivalidade. Foi saudável.
Como foi saudável a provocação do Léo.
Não, a provocação  do Léo foi ofensiva.
Como foi ofensiva a torcida para o Boca Juniors em julho.
Não, a torcida para o Boca Juniors em julho foi saudável.
Como foi saudável a torcida para o Peñarol em 2011.
Não a torcida para o Peñarol em 2011 foi ofensiva.
Torcer para o Manchester United foi saudável em 1999. Torcer para o Chelsea em 2012 é ofensa.
Torcer para o Barcelona em 2011 foi ofensa. Torcer para o Chelsea em 2012 é saudável.
E assim segue o mundo das áreas retangulares e verdes, onde se tenta acertar outro retângulo com um objeto esférico.
Um entretenimento, uma grande diversão.
Desde que atinja somente o outro...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mas, porém, entretanto

'Sebastian Vettel só chegou onde chegou por ter o melhor carro'.
'Sebastian Vettel só chegou onde chegou por não ter adversários'.
'Quero ver Vettel vencer com um carro inferior'.
Sim, a cultura da diminuição dos méritos é bastante comum.
O camarada está na frente, vence, se destaca, supera, sempre com um 'mas', 'porém', 'entretanto', 'e se'.
O campeão mundial de Fórmula 1 é o cidadão que soma mais pontos ao longo da temporada.
Algum mérito o cara tem que ter.
A Red Bull tem lá sua vantagem em relação aos outros, mas está muito longe de ser a McLaren de 88/89, Williams de 92/93 ou a Ferrari a partir do 5º ano de Schumacher. Havia uma torcida por chuva em Interlagos, que daria uma esperança aos cavalinhos rampantes. 
Um carro perfeito seria o melhor no seco e no molhado.
Vettel foi tri tri, tri seguido. Prost foi tetra, mas não tri seguido. Senna e Piquet foram tri, mas não seguidamente. Só Fangio e Schumacher haviam sido tri. E nenhum deles aos 25 anos.
'Ah, mas todos eles tinham adversários'
Não há como fechar os olhos para Alonso e Hamilton. 
Deixa o menino curtir o momento.
Porque o espetacular Schumacher não tinha adversários, o estupendo Prost não era ousado e o mito Senna enfrentava seus 'mas, porém, entretanto'.
Talvez um dia Vettel tenha seu feito devidamente reconhecido.
Mas não enquanto estiver nas pistas...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mesopotâmicas

- Vettel tri tri. Só Fangio e Schumacher foram
- Alonso decepcionado. Para ele, vice é o primeiro entre os perdedores
- Button feliz com a vitória. Não valeu nada, mas e daí?
- Massa chorando com o terceiro lugar
- Hulkenberg na liderança, depois de ser pole em 2010 na mesma pista
- Torcida na arquibancada aplaudindo Vettel e Massa.
- Torcida na arquibancada aplaudindo Rubens Barrichello
- Não saber o que vai acontecer na próxima curva
- Conferir que a aceitação da categoria no Brasil e em São Paulo ainda é grande
- Esperança de novas edições

Três dias, 27 horas

A credencial já foi tirada do peito.
Está em cima da mesa. Deve ficar por ali até a hora da arrumação pré-visita da faxineira, quando será colocada junto com as outras, utilizadas em Interlagos e no Anhembi em um passado não tão recente.
É o fim, acabou, não há mais necessidade.
Jenson Button venceu, Felipe Massa chorou no pódio, Sebastian Vettel foi tri, Michael Schumacher se aposentou de vez.
Não será mais necessário ir a Interlagos, ao menos em 2012, muito menos pela Fórmula 1.
O planejamento envolveu uma série de coisas, daquelas que parecem pequenas mas podem ser decisivas: acordar muito cedo, tentar driblar o trânsito paulistano, sobretudo na sexta-feira, chegar cedo ao autódromo para conseguir um bom lugar no estacionamento, instalação na sala de Imprensa, buscar um lugar próximo dos colegas brazucas, de preferência aqueles mais chegados, conexão com a internet, trabalhar uma barbaridade, saber que de muita coisa dá para tirar uma notícia, escrever um monte até um horário muito depois do fim das atividades na pista, chegar em casa tarde e saber que em poucas horas o processo começa novamente.
O primeiro dia tem suas obrigações: tomar conhecimento dos horários das coletivas dos personagens que interessam ou podem interessar, verificar os horários do almoço na Ferrari nos três dias, ver quais sanduíches há na geladeira da sala de Imprensa, ver se há a opção "café longo" na máquina, sintonizar as rádios para saber se há novidades no paddock. Havendo, correr. Caso contrário, diminuir.
Não foi a primeira vez, foi a terceira. Com a mesma empolgação, sem dúvida, mas aplicando aquilo que foi ensinado nas edições anteriores.
Organização de horários, por exemplo. Anotar a que horas as figuras mais interessantes falam. Foi a primeira cobertura de uma corrida que obrigatoriamente determinaria o campeão, então os dois postulantes deveriam ser ouvidos. Os brasileiros são de praxe e é importante também ouvir o alemão queixudo, porque ele está parando. Quem mais? Ah, Kimi, que voltou neste ano e está na pista onde foi campeão em 2007. Todo esse pessoal só fala após a segunda atividade de cada dia, portanto até lá é hora de ver outras coisas: o tempo, o trânsito, a movimentação dos torcedores nas arquibancadas, o inusitado. O tempo ensinou que há a hora certa de ir ao paddock. É aquela em que você circula, vai de um lado ao outro ou fica em frente à entrada principal. Seja quem for o importante, vai passar por ali. 
Aí começa aquele momento em que você não estranha se Niki Lauda passar ao seu lado. E descobre que Damon Hill é uma simpatia de pessoa. Ou verifica que Eddie Jordan é uma figuraça.
Ah, na hospitality area da Toro Rosso você é bem vindo. Aliás, te tratam tão bem que não se incomodam se você entrar lá e abrir a geladeira. Toro Rosso é o lado B da Red Bull, aliás, com o mesmo nome, só que em italiano.
Digamos que a geladeira, aquela mesma à qual o acesso é livre, fica cheia de...pois é...
Quando os carros vão à pista não há tanta necessidade de ficar no paddock. É bem se ligar nos tempos, desempenho com cada tipo de pneu, possíveis acidentes. Descer, só depois, para milhares de coletivas. Quanto mais importante o camarada for para aquela corrida, mas difícil é chegar até ele. É quando você enfia o braço segurando o gravador e pega as declarações de Lewis Hamilton sem ver a cara dele. 
O trabalho, como eu disse antes, é finalizado muito depois das atividades, invariavelmente com as arquibancadas vazias, sempre com a sensação de que dava para fazer melhor. Mas amanhã eu melhoro.
Desta vez não há amanhã. Há o ano que vem, talvez, vai saber. Fica a lembrança, a realização.
E a credencial será guardada. Ela nem precisou ser mostrada na saída. As catracas haviam sido retiradas. Amanhã não haverá trabalho em Interlagos...


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Para subir ou derrubar

E Di Matteo caiu. Está fora do Chelsea
A menos de um mês para o Mundial de Clubes.
'Europeus não ligam para o Mundial'.
Isso já foi mais forte. Hoje em dia não é bem assim.
O Corinthians acompanha à distância. absorvendo motivos para ficar confiante ou preocupado.
A confiança vem na clara desestruturação dos azuis londrinos. Algo que não é novo. Só tornou-se explícito a partir da derrota para a Juventus pela Champions League e a consequente queda do treinador.
Na teoria, um time que chega a uma competição nessas condições entra apenas para fazer figuração.
A preocupação vem da própria história recente do Chelsea e passa diretamente por Di Matteo.
Vamos voltar uns meses no tempo e ver em quais condições o treinador assumiu o comando do time.
O Chelsea havia acabado de dar um bico no maluco do André Villas-Boas, um portuga que conseguiu achar que o zagueiro Alex não servia.
O time não andava com ele, não tinha uma cara, uma identidade, um esquema tático.
Não rolava. Não estava dando certo.
Di Matteo estava lá no clube. Boleirão, conhecia o elenco, tinha a confiança dos jogadores.
Mandaram Villas-Ruins embora, Di Matteo virou interino.
Uma daquelas medidas provisórias que tornam-se definitivas.
E o Chelsea andou, caminhou, chegou. Campeão europeu. Nos pênaltis? Sem um futebol mágico? E quem precisa de futebol mágico quando levanta a taça?
Feio, porém eficiente.
E assim caminhava. Pensava no Mundial.
Não ganharia do Corinthians,
Sim, afirmo categoricamente.
Os dois jogam feio, ok? Só que o 'feio' do Corinthians é muito mais arrumado que o dos ingleses.
O 'feio' do Corinthians tem conjunto, entrosamento, confiança. Todo mundo sabe como proceder quando estiver com a bola e quando não estiver.
O Chelsea não tinha isso. Todo mundo corre e joga pro Fernando Torres. Se ele resolver se mexer, dá em alguma coisa.
Oscar chegou, mudou um pouco essa filosofia, mas não joga sozinho.
Continuava fácil a penetração na zaga com David Luiz e Terry.
Agora, muda o treinador. E o que pode acontecer?
O mesmo fenômeno Di Matteoino.
Coloca um boleirão que fale a língua dos caras e o time se acerta.
E aí o Corinthians começa a se preocupar.
Trazer alguém de fora, nome forte, consagrado, medalhão, dificilmente mudará o quadro.
Ao menos para o Mundial.
O cidadão teria pouco tempo para se apresentar, conhecer os caras, iniciar o trabalho e dar uma cara ao time. Daria certo em um prazo maior, não em uma competição que bate à porta.
São dois lados, portanto. O da desestruturação ou o do acerto comum quando um elenco não queria mais um treinador.
As próximas semanas mostrarão.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bruxas e mágicos

Em tempos de bruxas, falamos dos mágicos.
No dia 1º de novembro de 1987, Nelson Piquet conquistava o tri.
No dia 30 de outubro de 1988, Ayrton Senna conquistava o primeiro título.
Vamos dizer que o período outubro/novembro é um tanto quanto abençoado para o automobilismo tupiniquim.
Tudo bem que, depois de 1991, houve apenas a batida na trave de Felipe Massa em 2008, mas não dá para esquecer o que passou.
Porque falamos de um cara que mudava a configuração do carro aos 44 do segundo tempo porque sabia que aquele sistema o faria vencer.
Falamos de outro que chegou em um time com regras consolidadas e passou por cima delas.
Insubordinação? Pode ser. Prefiro dizer "personalidade".
Coisa que hoje não há. O que rola em 2012 é o "vou ajudar o time, cumprir o que determinarem".
Não foi só a genialidade. Foi também a forma como lidar com as circunstâncias.
Por uma questão de idade foi impossível entrevistar Ayrton. Houve e há tempo para entrevistar o sobrinho, a irmã, alguns amigos.
Nelson, sim, foi entrevistado. Falou daquele jeito debochado, irônico, autêntico.
Ganhou um "muito obrigado" ao final da conversa. Não só pela entrevista, mas pelo que fez anos antes de ser entrevistado...