domingo, 24 de julho de 2011

#Uruguai

Nem sempre um campeonato eliminatório dá o título ao melhor.
Não foi o caso da Copa América.
O Uruguai mereceu a taça.
Não por apresentar um futebol de encher os olhos, mas o suficiente para vencer a competição.
Tem talentos individuais? Sim, mas o conjunto faz a obra.
Tem Forlán, mas que andava de mal com as redes. Foi à forra...
Tem Suárez, ótimo, excelente, decisivo.
Tem Alvaro Pereira, um armador como há pouco se via.
Tem Cáceres, leão na marcação e excelente condutor na via defesa/ataque.
Tem Lugano na defesa. Não precisa falar muito mais.
Tem Muslera no gol. Uma muralha.
Tem Oscar Tabarez. Ovacionado ao receber a medalha. O 'cara' que deu a cara ao time.
Foram 16 anos de espera, de decadência, de angústia.
O Uruguai reviu os conceitos, buscou, lutou, se reergueu.
Foi ao Mundial de 2010. Chegou em quarto.
Foi à Copa América. Eliminou os donos da casa. Foi ao título.
Sim, a Copa América quase premiou o futebol feio. Quase deu o título a quem não venceu nenhuma.
Mas nem sempre um torneio eliminatório premia os retranqueiros.
Que bom que essa foi a história da Copa América 2011...

Nürburgring - a graça da F1

Não foi uma das melhores corridas da temporada. Foi uma das melhores corridas de todos os tempos.
E não é ironia. É fato.
Não só pela vitória de Lewis Hamilton, muito menos por Sebastian Vettel ter cruzado em quarto lugar, quando poderia ser quinto, o que aumenta um pouco mais a graça do campeonato.
O que tornou o GP da Alemanha  sensacional foi a forma como a corrida se desenhou. Passou longe de ser aquela prova da fila indiana, das posições inalteradas, do sono.
Foi impossível dormir.
Mark Webber, por exemplo, cochilou e a pole conquistada no sábado foi para o vinagre. Hamiolton largou em segundo, foi mais esperto e pulou na frente. Fernando Alonso, que saiu em quarto, ganhou a posição de Vettel, o terceiro.
Já seriam mudanças suficientes, mas tinha muito mais por vir. Alonso espalhou e Vettel retomou o terceiro lugar. A briga continuou e Alonso passou novamente.
Vettel, então, mostrou ser o bom e velho Vettel, aquele que sob pressão ou tendo que pressionar se precipita. Rodou sozinho. Não comprometeu nada, mas rodou sozinho.
Lá atrás, Sebastien Buemi tocou estranhamente na Renault de Nick Heidfeld e tirou um dos seis alemães da prova.
Até aí, apenas 10 voltas haviam passado.
Na volta 12, quando a janela de pits deveria ser aberta, Webber foi para cima e passou Hamilton na entrada da reta dos boxes. Na saída da mesma resta, a briga continuou e Hamilton tomou a primeira colocação de volta.
Enquanto isso, Massa começava a fazer jus à menção honrosa ao ultrapassar Nico Rosberg e pegar a quinta colocação.
Os pits começaram na volta 15, com Webber. Mas o melhor viria na volta seguinte, quando Hamilton e Alonso entraram ao mesmo tempo. Os dois saíram dos boxes nessa sequência, quase juntos e encontraram Webber, àquela altura o primeiro e Massa, herdando a segunda colocação por ainda não ter parado.
Os quatro quase se tocaram. A sequência ficou Webber, Massa, Hamilton e Alonso.
Massa entrou na volta seguinte e conseguiu voltar à frente de Vettel.
As coisas não mudaram muito até a volta 30, quando Webber entrou novamente, levando Hamilton junto. Melhor para o inglês, que voltou na frente.
O melhor viria na volta 33, quando Alonso entrou nos boxes e saiu centímetros à frente de Hamilton e Webber. A voltinha a mais do inglês deu a ele o aquecimento ideal dos pneus para ultrapassar o espanhol. A coisa foi montada com Hamilton, Alonso e Webber.
Como todo mundo estava decidido a ir de pneus macios, mais rápidos, os compostos duros ficaram para as últimas 10 voltas, o que poderia, em tese, mudar a história.
Não mudou.
Hamilton, líder, entrou na volta 51 e Alonso assumiu a ponta. Três voltas depois, foi a vez do espanhol entrar. Webber assumiu, mas teve de entrar na volta 57. E a sequência ficou como estava: Hamilton, Alonso e Webber.
Acabou?? Não...
Massa e Vettel entraram nos boxes na última volta.
A Red Bull realizou uma excelente troca de pneus.
A Ferrari não...
Melhor para o alemão, que tomou o quarto lugar no pit lane.
Enquanto isso, Hamilton festejava a 15ª vitória da carreira, com Alonso em segundo e Webber em terceiro.
Vettel continua disparado na frente, com 216 pontos, seguido por Webber (139), Hamilton (134) e Alonso (130).
Mudou o campeonato?
Não.
Mas os conceitos mudaram bastante...

sábado, 23 de julho de 2011

Nürburgring - o grid

Vamos dizer que tentaram colocar um pouco de graça no Mundial de Fórmula 1.
Melhor assim.
Porque Sebastian Vettel não sai na pole da Alemanha. E nem conseguiu vaga na primeira fila.
Sai na frente o companheiro dele, Mark Webber, que marcou 1min30s079.
Entre os dois rubro-taurinos colocou-se um certo Lewis com uma Mc Laren, cravando 1min30s134. Vettel conseguiu 1min30s216.
É evidente que, sem a pole, o ideal para Vettel seria ver Webber na pole, mas pegar a segunda colocação. Em uma Red Bull que "não" tem estratégia de equipe, ele tomaria a primeira posição na curva 1.
Não que a presença de Hamilton represente um grande bloqueio na vida do alemãozinho. Hamilton, mesmo com mais experiência e até um título mundial, ainda comete erros bobos, ainda mais quando está sob pressão.
Vettel é a mesma coisa, mas estará na confortável posição de pressionar.
O que Hamilton e Vettel precisam se ligar é em Alonso. O espanhol sai em quarto e pode se aproveitar dessa briga dos dois. E dificilmente será ameaçado, já que Felipe Massa sai em quinto, ou seja, não pressiona nem permite que ninguém se aproxime.
Apenas para não deixar a brasilidade de lado, Rubens Barrichello sai em 14º.
Veio com o mesmo discurso sobre problemas pontuais no carro e coisa e tal, mas eu já teria dito a verdade: a Williams é isso e não vai sair disso. Um boa posição no Q2 e olhe lá. Não tem carro para ir além disso. Pronto, fato.
Há quem diga que pode chover na hora da corrida. Se isso acontecer, disputa em aberto. Caso contrário, repete-se o sistema do treino: pneus macios, que deixam os carros mais velozes na nurburgriana pista.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Nürburgring - sexta-feira

Em apenas uma palavra, a definição da sexta-feira em Nürburgring.
Chatice.
Um treino sem graça, frio como está o autódromo alemão. Seco, assim como a pista.
Deu Mark webber na frente, com 1min31s711.
Fernando Alonso foi o segundo, com 1min31s879, Sebastain Vettel o terceiro (1min32s084) e Felipe Massa o quarto (1min32s854).
Ou seja: Red Bull/Ferrari/Red Bill/Ferrari.
O que não quer dizer que teremos uma batalha entre asas azuis e cavalos rampantes vermelhos pela primeira fila no Qualifying de sábado.
Alonso, realista e/ou estrategista, já disse na quainta que não alcança a Red Bull. Não dá, não tem como.
Apesar que, há duas semanas, ele dizia que dava. E agora disse que não disse o que havia dito.
Entenderam?
Não há previsão de chuva para o fim de semana.
O que só aumenta uma tendência.
A de nada mudar no GP da Alemanha.
A não ser um tal de Sebastião, que jamais venceu em casa.
Mas que deve quebrar essa escrita no domingo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nürburguianas

Karun Chandhok (lembram dele?) vai subtituir Jarno Trulli na Lotus em Nürburgring.
Uma daquelas decisões que dá para imaginar por que foram tomadas.
Aos 37 anos, o italiano, provavelmente de saco cheio de muita coisa, aceitou resignado e nem questionou, nem nada.
Disse até que vai ajudar o indiano.
Enfim, os caras acham que isso resolve.
Deixemos que eles achem.
Nürburgring, assim como todo e qualquer autódromo com um pouco de idade, já foi bem diferente.
Em 1967, por exemplo...




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sid Mosca

Estou ainda assustado, triste, estarrecido, arrasado, ou tudo junto, para definir melhor.
Sid Mosca nos deixou.
Cloacyr Sidney Mosca tinha 74 anos e travou uma longa batalha contra o câncer.
Era um nome que estava na cabeça de muita gente.
Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Felipe Massa, Tony Kanaan, Raul Boesel, Pedro Paulo Diniz, André Ribeiro, Keke Rosberg e outros, muitos outros.
Era ele quem confeccionava os capacetes de todos esses pilotos.
Mas o modelo mais famoso era fácil de detectar nas pistas.
O amarelo de Ayrton Senna.
Era Sid Mosca quem pintava o capacete do tricampeão.
Foi ele quem continuou a produzir réplicas do equipamento, vendidas até hoje como parte da linha de produtos licenciados.
Foi ele quem tentou selar a paz entre Senna e Piquet.
Pintou ainda os carros da Brabham, Lotus e Jordan.
Ex-piloto, Sid era mais que um bom profissional: era um amigo dos pilotos.
Tive o prazer e a honra de entrevistá-lo em outubro de 2008, quando o Expresso Popular publicou uma série de matérias sobre os 20 anos do primeiro título mundial de Ayrton Senna.
Sid Mosca recebeu a mim, ao repórter-fotográfico Luiz Fernando Menezes e ao motorista Joel em seu escritório, na Avenida Washington Luiz, em São Paulo.
No local, modelos originais da Jordan 1994 de Rubens Barrichello e da Sauber 2001 de Felipe Massa.
"Eles pedem para deixar os carros aqui", disse.
E Sid falou muito sobre a amizade com Ayrton. As conversas que eles mantinham, os assuntos fora do automobilismo, a sala onde conversavam, o dia em que Ayrton foi ao escritório logo após a conquista do mundial de 1988.
"Escutei um buzinaço, uma gritaria. Olhei lá fora e ele vinha atravessando a rua para vir aqui. Parecia ter esquecido que não era mais um piloto anônimo, mas um campeão do mundo.Foi andar na rua como anônimo e provocou tudo aquilo".
Ao final da entrevista (por sinal, difícil de encerrar, tamanha a simpatia e o conteúdo que ele tinha), Sid olhou para a Jordan e fez um convite ao repórter.
"Entra no cockpit".
Convite aceito, é evidente.
E Sid ensinou o passo a passo do que é chamado "vestir o carro": tirar o volante, ficar em pé no cockpit, jogar as pernas para dentro e por aí vai.
O repórter ouviu resignado. Respeito a um mestre.
Sid se foi.
As lembranças ficarão no Cemitério de Congonhas, onde também está o corpo de meu tio, Reinaldo, e na cabeça de muita gente.
Dentro e fora das pistas.
Fica a honra de ter falado com ele um dia.
E o lamento pela falta de oportunidade para um segundo encontro...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Foi em Hockenhein

O GP da Alemanha deste ano será disputado em Nürburgring.
Palco de várias edições do GP da Europa, que hoje acontece em Valencia.
Nürburgring é um excelente circuito.
Mas meu estilo saudosista e tradicionalista remete a Hockenhein.
Apesar que Hockenhein sem o trecho da floresta não é Hockenhein...
Enfim, foi lá que aconteceram três momentos marcantes da história.

1982



2000



2010

Nürburgring

Alemanha
Circuito de Nürburgring
60 voltas
5.148 metros em cada volta
15 curvas
Máxima de 297 km/h no final da reta dos boxes
Em 2010*
1º Fernando Alonso (Ferrari)/2º Felipe Massa (Ferrari)/3º Sebastian Vettel (Red Bull)
Programação (horário de Brasília)
Sexta-feira, 5 horas - Treino Livre 1
Sexta-feira, 9 horas - Treino Livre 2
Sábado, 6 horas - Treino Livre 3
Sábado, 9 horas - Qualifyng
Domingo, 9 horas - Largada, 60 voltas
*Em 2010, a prova foi realizada em Hockenhein

domingo, 17 de julho de 2011

Pimenta no Reino

O Barão dizia estar evacuando para os burburinhos.
Evacuou tanto que contagiou a muitos.
O ambiente e as atitudes, sejam elas técnicas ou não, tornaram-se autênticas pocilgas.
O Barão questionou o interesse público pelos assuntos obscuros.
E os assuntos públicos tornaram-se levemente desagradáveis.
O Barão enxergou um traço de maldade em seus opositores.
Os membros do reinado expuseram as consequências do governo diante de milhares, batendo nos picos.
O Barão só iria se preocupar se o órgão de veiculação das benfeitorias do reinado expusesse algo que eventualmente não lhe agradasse.
Talvez o Barão esteja realmente preocupado.
E os construtores da imagem do "tudo ótimo" também.
A mágica para apagar o que realmente aconteceu ou transformar essa verdade em um futuro promissor será difícil de executar...

Maravilhosa ilusão

Sinto-me um trouxa cada vez que penso que torci nesta Copa.
Principalmente ao constatar que aquilo que só veio à tona agora já acontecia naqueles tempos.
Resta o consolo de ter acordado cedo, sem que houvesse tempo para dar continuidade a essa ilusão.
Na França/98 já não se torcia mais.
Já se sabia como as coisas funcionavam.
O que veio depois foi apenas consequência.
Resta também a realização de ter visto, de saber como é, principalmente depois da frustração hispânica em 1982 e de só ouvir falar sobre 70, 70 e...mais 70...
É uma lástima, mas quem cuida da Seleção me levou a isso.
E levou muita gente junto.
Há quem ainda viva nesse mundo paralelo, esse mundo de "vai ser 3 a 0 Brasiiiiiiiiiiiil".
Normalmente, me acusam de não ser brasileiro.
Francamente, acho que sou mais brasileiro que eles.
Ao menos fico indignado ao ver meu dinheiro indo para as mãos de uns e outros.
Os mesmos que iludem e enganam os que me acusam de não ser brasileiro.
Estas cenas aconteceram há exatos 17 anos.
Dia 17 de julho de 1994...