É possível haver uma nova chance? Uma segunda oportunidade? Existe uma maneira de fazer com que o tempo volte, para que tudo possa ser feito de uma outra forma?
"Não", dirão os céticos. "Jamais", responderão os racionais. "A vida é como um rio, que passa e não volta", concluirão os filósofos.
Será mesmo? Evidente que voltar no tempo não dá, mas talvez reviver certos dias, certos momentos e mudar o curso da história seja, sim possível.
É possível reviver uma noite de quarta-feira, 154 quartas-feiras depois daquela, 1.078 dias após um momento em que a satisfação e a decepção se misturaram. Voltar ao mesmo local, no mesmo horário, mudar alguns papeis secundários, mas sem alterar os personagens principais. Reviver a história e dobrar o nível de satisfação, já que esse primeiro sentimento tomou o lugar da decepção.
Viver pela segunda vez aquele 6 de junho de 2007. Mudar o nome da competição, de Copa Libertadores para Copa do Brasil, mas repetindo a mesma fase: semifinal. Manter o desafio de vencer o Grêmio depois de uma derrota no Sul, não tão complicada quanto os 2 a 0 de 2007, mas por um 4 a 3 não menos doído pela forma como se construiu. Pegar um Grêmio valente, aguerrido, como tradicionalmente entra em mata-matas. E com a mesma Vila Belmiro empurrando, acreditando e fazendo acreditar, dizendo "vai, porque estamos com vocês".
Imaginar que a história terá o mesmo fim, com festa gaúcha no quintal. O Grêmio joga para marcar um gol. Passa perto uma, duas, três vezes. Um Santos que cresce, vai sendo empurrado, acredita.
Uma nova noite de quarta, o mesmo adversário, o mesmo desafio. Muda o nome da competição e o roteiro.
O Grêmio não acha um gol. Não tem mais Diego Souza. Não joga recuado, covarde. Não é mais armado por Mano Menezes. Tem Silas, que manda atacar. E se expõe.
O Santos não tem Zé Roberto, mas tem Paulo Henrique Ganso. Marcado e apagado no primeiro tempo. Craque. Pega uma só bola na segunda etapa, olha para o gol e chuta. Forte, preciso, convicto. Em 2007, um só gol não resolvia. Em 2010, resolve, pois obriga o Grêmio a atacar e a se expor ainda mais. Ao ponto de levar a cobertura de Robinho, aquele mesmo que chutou o Santos cinco anos atrás e que pode chutar novamente, mas que só se identifica com esse time.
Mas o Grêmio tinha que achar um gol. Não que pudesse matar a situação, como há três anos, mas coloca medo. Um empate e é nova festa em três harmoniosas cores dentro da Vila Belmiro. Medo? Wesley não tem medo nem da saída do excelente Victor. E o estádio vem abaixo. Como veio no terceiro gol de 2007, que na época separava por apenas um gol a vaga na final. Desta vez, não era preciso balançar as redes novamente. Daria até para levar mais um gol. Mas era melhor não viver fortes emoções.
A noite de quarta-feira se repetiu. O placar mostrou 3 a 1 novamente. Aplausos? Tanto naquele dia quanto neste. Satisfação? Sim. Decepção? Não, obrigado. Mas e naquela época? Ih, já esqueceram aquela época, depois de uma vitória épica...