Notícias do sábado, porque a sexta-feira estava toda no Twitter.
Deu Sebastian Vettel mais uma vez. Sai na pole no Canadá.
Mas não pela incompetência alheia. Apenas porque a Red Bull sobra, sempre sobrou e continuará sobrando.
Se dependesse só da Ferrari, não dava.
Fernando Alonso sai em segundo e Felipe Massa (SIM!) em terceiro.
E a diferença de tempos lá embaixo.
O de Vettel, 1min13s014; Alonso mandou 1min13s199. Massa cravou 1min13s217.
Numa conta rápida, 217-199=18.
Ou seja, Alonso foi 0,018s mais rápido que Felipe.
Mark Webber, que não se sabe por que pombas de cargas d'água não treinou pela manhã, sai somente em quarto.
Lewis Hamilton é o quinto, Nico Rosberg o sexto e Jenson Button o sétimo.
Rubens Barrichello larga em 16º.
Os tempos só serviram para derrubar minha previsão de 1min12s para o pole...
Na corrida, a chuva determinará muita coisa. Se não vier, a Red Bull terá de mostrar essas sobras, porque a Ferrari chegou cheia de vontade e vai querer alguma coisa no domingo.
Se a chuva cair, as coisas igualam. E os mais malucos se darão melhor.
Foi naquela manhã de 2006 que, entre uma matéria e outra, o rádio da viatura do jornal comunicou:
Fiori Gigliotti havia nos deixado.
E deixado não só a nós como também um vazio imenso, impossível de ser preenchido.
Uma notícia como esta não poderia ser transmitida em outro período. De outra forma, então, nem pensar.
A ida de Fiori só poderia se dar no início de uma Copa do Mundo. E a notícia só poderia ser transmitida pelo rádio.
Mestre Fiori, um dos gênios do rádio esportivo. Somente o veículo que o consagrou poderia informar que ele não estava mais entre nós. Só mesmo o evento máximo do esporte cujas histórias por tantas e tantas vezes por ele contadas e bem contadas poderia acolher a partida dele.
Nasceu em Barra Bonita, criado em Lins, consagrado em São Paulo, nos 38 anos em que empunhou o microfone da Rádio Bandeirantes.
"Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo...balão subindo, descendo...o tempo passa...aguenta, coração...crepúsculo de jogo..."
Tudo isso além do clássico "torcida brasileira".
Fiori nos deixou. O rádio chora até hoje. O futebol chora até hoje. As tardes de domingo jamais serão esquecidas, vendo meu avô sentado no terraço da casa que ele mesmo construiu, com seu ar pouco simpático, seu cigarro Continental, seu pequeno rádio ligado na Bandeirantes, na narração de Fiori e o cheiro de café vindo da cozinha.
Durante os anos seguintes à ida de meu avô, mantive o hábito de ouvir Fiori todos os domingos...sem terraço, sem cigarros, sem cheiro de café...e o velho rádio está comigo, muito bem guardado.
Obrigado, mestre Fiori. O senhor está, com certeza, entre aqueles que me incentivaram a entrar nessa vida insana que é o Jornalismo Esportivo. O que me consola é que, por duas vezes, pude dizer na sua frente tudo aquilo que o senhor representa na minha vida; uma no corredor do gigantesco Morumbi, como o senhor mesmo dizia e outra nos estúdios da extinta Tri TV, em Santos.
E vi a emoção em seus olhos nas duas oportunidades.
E que pena não ter tido tempo de trabalhar com o senhor. Não sei o que aconteceria se o senhor pegasse o microfone e dissesse: "Paulo Rogério, o moço de Santos".
Que o senhor descanse. O senhor disse uma vez que "nascemos para morrer". Que pena que isso é verdade.
Mas o senhor é inesquecível. O senhor ficará por toda a eternidade no nosso Cantinho de Saudade...
O Santos de 2011 na Libertadores lembra um pouco o Boca Juniores na primeira década do Século 21.
Não pode deixar chegar.
O Boca, campeão em 2000, 2001, 2003 e 2007, nem sempre era espetacular na primeira fase.
E nem precisava ser.
Por vezes dava alguns sustos, ameaçava ficar de fora, tinha uma eliminação iminente.
Entrava.
E depois que entrava, ia embora.
Porque é um campeonato dentro de outro campeonato, como diria Emerson Leão.
Não importa em quais condições você chegou, qual o caminho, de que maneira, se foi fácil ou na base do sofrimento.
Você chegou.
E suas chances, a partir de agora, são iguais às do melhor time da primeira fase.
Porque o campeonato muda.
o Boca Juniores de 2003 classificou-se em segundo lugar no Grupo 7, atrás do Independiente Medellín.
Foi campeão ganhando do Santos nos dois jogos da final.
O Boca de 2007 ficou atrás do Toluca na fase de grupos (outra vez Grupo 7). Chegou a perder por 3 a 0 para o Cienciano.
Vê se alguém lembrou disso quando o time argentino levantou a taça no Estádio Olímpico, em Porto Alegre?
O Boca de 2008 sofreu para se classificar no Grupo 3 e foi cair diante do Fluminense nas semifinais.
E o Santos está assim. Eliminado ao perder para o Colo Colo no Chile, classificado ao vencer o Cerro Porteño no Paraguai, na fase de grupos, classificado.
Será o Benedito que eu só fui perceber isso agora? César Tralli, repórter da Rede Globo e o piloto Hélio Castroneves...alguém já tinha reparado? Sou desligado demais...