sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Viva o folclore!!

"Estarrecido, meu caro. Estarrecido".
Começou desta maneira a mensagem enviada via WhatsApp para o Maurão.
Maurão, sim. Porque Mauro Beting é pouco.
Pouco para falar de alguém que recebe uma ligação às 19 horas e ouve: "Mauro, sou Paulo Rogério, estou começando a escrever a biografia do Fiori Gigliotti e o Marcelo, filho do Fiori, gostaria que o prefácio fosse escrito por você..."
E às 11 da manhã do dia seguinte ele envia uma mensagem perguntando meu e-mail para enviar o texto.
E o texto?? Ao estilo Mauro Beting. 
Faz quase um ano que estive com ele pessoalmente, no café da área externa do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
Mauro estava à vontade, parecia estar em casa. E, a bem da verdade, estava em casa. Porque ele pisou lá pela primeira vez aos nove anos de idade. Começou a vida profissional lá e tinha quase uma década de rádio.
Acompanhou o pai, trabalharam juntos e foi naquele microfone que ele anunciou que o pai tinha ido embora.
Quase dez anos de competência, profissionalismo e caráter.
Mas quem precisa disso? 
Tudo isso passa a ser superficial diante do folclore, do pão e circo, da audiência.
Porque o que importa é a audiência.
Dizem que é a partir dela que o faturamento cresce.
O profissionalismo, a ética e a competência não aumentam o faturamento.
Com eles, sobe apenas uma tal de credibilidade.
Mas quem precisa dela diante do dinheiro a mais que entrou em virtude do folclore, do pão e circo, da audiência?
Mauro não é folclórico, não entra em pão e circo.
É apenas profissional e competente, além de ético.
Mas quem precisa da ética?
Ética não provoca aumento no faturamento.
Ética é dispensável, profissionalismo é dispensável, caráter é dispensável.
Mauro é dispensável.
Há quase um ano escreveu a respeito de Fiori Gigliotti.
Assim como Mauro, um profissional, competente e ético.
E também recebeu o devido bilhete azul.
Quem pecisava de Fiori?
Quem precisa de Mauro?
Viva o folclore, viva a audiência, viva o faturamento!
O resto? Bem, é resto...

domingo, 28 de julho de 2013

Blefe húngaro

Ou Lewis Hamilton estava blefando, ou a Mercedes ficou preocupada com a opinião de seu piloto, se coçou e proporcionou a ele melhores condições para a corrida. Porque quem vê o cara no alto do pódio acha impossível o próprio piloto ter dito, no sábado, logo após estabelecer a pole, que "só um milagre daria a vitória à Mercedes".
Hamilton demonstrava, ao menos nas declarações, uma vasta preocupação com os pneus. Não era exclusividade dele, considerando os mais de 40ºC de temperatura da pista. Mas as palavras dele continham uma dúvida a mais a respeito do carro.
Falo em blefe porque um carro acertado de um dia para o outro é comum, mas o tal milagre não. O que fica claro é que o acerto esteve aliado à estratégia e esse conjunto deu a vitória à Mercedes. Porque desde a primeira parada Hamilton entrava nos boxes antes do pelotão que o acompanhava. E quando os demais entravam, ele já estava em um ritmo suficientemente rápido, que o devolvia a primeira colocação sempre.
Ponto positivo foi o comportamento da Lotus. Sim, havia dúvidas a respeito da equipe. Muita gente achando que o time não iria se segurar em boa fase por muito tempo.
Ponto negativo foi a corrida de Sebastian Vettel. Ok, chegou em terceiro, caminha para um tetracampeonato sem sustos, mas perdeu muito tempo atrás da McLaren de Button. E o carro prateado, sabemos, está longe de ser aquele de outrora.
Pausa para as férias e a Fórmula 1 começa o segundo tempo no fim de agosto.
Sabe quem costuma predominar após a saída da Europa, quando as provas serão disputadas entre Ásia, Oriente Médio e Brasil??
Vettel...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

E se?

Fórmula 1 no Brasil virou esporte há pouco tempo.
Até outro dia, era uma fábrica de heróis nacionais e vilões internacionais.
O 'nosso' piloto era o melhor e o de fora era ruim, jogava sujo, deveríamos torcer contra.
Estão dizendo por aí que não se sabe se Felipe Massa renova ou não com a Ferrari.
E estão dizendo por aí que, se não for em Maranello, não será em lugar nenhum. Ele tá fora de tudo.
Não sei se é verdade, se não é.
O que sei é que, se acontecer, quem gosta desse negócio chamado Fórmula 1 e dispõe somente da TV aberta em casa, vai precisar pegar os contatos das operadoras de TV por assinatura.
Ou você acha que alguém vai bancar uma categoria que não tem o Brasil-sil-sil?
A coisa toda só não foi largada ainda porque há um contrato e um brasileiro.
Se o segundo não existir mais, pode ser que o primeiro segure um pouco, mas apenas e tão somente um pouco.
Há o público que gosta do esporte (porque agora é esporte). Para eles e até por uma questão de respeito a eles, a TV por assinatura.
Para os demais, aquilo que der audiência.
Até porque a maioria não vai ligar.
Não acompanha desde 1994 mesmo...

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Um passo para trás

Perder para o Boca Juniors é normal.
Perder para o Boca Juniors na casa deles é normal.
Perder para o Boca Juniors na casa deles por 1 a 0 é normal.
O que não é normal é a forma como se perde.
Porque o Boca é o Boca, mas não mais 'aquele' Boca.
O Corinthians é Corinthians, mas na derrota para o Boca não foi 'aquele' Corinthians.
O Corinthians de 2012 venceu o que venceu, entre outros motivos, por ter um psicológico forte. Tinha o controle da situação, não se deixava levar por nenhum fator, fosse interno ou externo. Sofreu um gol na casa do Boca na decisão e não permitiu que a carga e a responsabilidade dos anos sem Libertadores fosse sequer apresentada. Retomou o controle e empatou a partida, para controlar os 90 minutos da decisão no Pacaembu sem ser ameaçado uma vez sequer.
Sem a carga, nem a responsabilidade, mas com a taça em seu memorial, o Corinthians voltou ao palco da primeira decisão com responsabilidade, tensão e nervosismo menores. Levou um gol e tudo indicava a repetição de um filme exibido há menos de um ano. Mas não. O Corinthians sem a pressão virou o Corinthians da pressão, da responsabilidade, do nervosismo, do "vai acontecer de novo". Erros em passes curtos, desacertos, desatenção, psicológico abalado. O mesmo elenco, que joga junto há tempos e se conhece muito bem, dando ares de que havia se juntado minutos antes da bola rolar. Desentrosamento.
Resultado aceitável, dentro dos primeiros critérios, sim. Resultado reversível, sim, mas desde que o Corinthians volte a ser 'aquele' e que o Boca não resolva ter lampejos 'daquele'.
Não deve ter...

domingo, 24 de março de 2013

Kualanas




“Depois da última parada, o time me disse que a corrida tinha acabado, nós tiramos o pé e fomos para o final. Eu também queria disputar, mas, no fim, a equipe tomou uma decisão, que é o que nós sempre dizemos antes do início da corrida, de como provavelmente vai ser: nós cuidamos dos pneus e levamos o carro até o fim. No fim, Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”.
Mark Webber, logo após o GP da Malásia.
Aos fatos:
1- Não há, ao menos costumeiramente, jogo de equipe na Red Bull. Se há. é muito bem desenvolvido.
2- Webber não aceitou o pedido de amizade de Vettel no Facebook porque não o curte há tempos.
3- Ross Brawn ficou possesso com seus pupilos da Mercedes quase saindo no tapa por posições na pista. Brawn é um ex-ferrarista, o que explica muita coisa.
4- Não há jogo de equipe na Ferrari, mas haverá.
5- Hamilton parando nos boxes da McLaren, por enquanto, leva o título de Imagem da Temporada. E dificilmente deixará de vencer tal escolha...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Antes ele

Morreu.
Antes ele do que eu.
Eu não estava lá. Não fui, não iria. E se fosse, ficaria em outro setor. Não levaria nada que fosse abastecido com chamas, fogo, calor. E me posicionaria longe de quem usa essas coisas.
Estava no sofá, vendo pela TV, com opções de transmissões, mas vendo a que dá mais audiência. Talvez para criticar nas redes sociais, acusar de parcialidade.
Mas aí morreu, aconteceu, já foi, se foi.
Acontece, sempre pode acontecer.
Então, que se aproveite a situação. Que aproveitemos a situação. Que nos aproveitemos da situação.
Porque o que for falado repercute. O que for repercutido provoca aumento da fama, do conhecimento.
É a tal da audiência. O fim que justifica os meios.
O apresentador aparece mais que a notícia. O torcedor vai à Justiça garantir seu direito de aparecer, de ser a notícia.
Que se mostre, que se explore, que se procure frases de efeito.
São bonitas, as pessoas encaminham, retweetam, curtem, compartilham, dizem que também estão sentindo, concordam.
Que se busquem soluções. Aquelas que jamais serão colocadas em prática, mas renderão um pouco de fama, talvez por um pouco mais de 15 minutos.
E a razão disso?
Putz, esqueci.
Ah, sim, é verdade. Morreu.
Antes ele do que eu...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Como se reerguer

O Corinthians campeão do mundo começa com o Corinthians rebaixado em 2007.
A queda obrigaria o clube a mudar os rumos, mas sua iminência fez o clube mudar os rumos antes que a queda acontecesse.
Havia um novo comandante antes da queda e foi elaborado um planejamento para a hora em que ela viesse.
Veio. E as mudanças foram anunciadas na manhã seguinte.
Havia onde se basear: na paixão. Mas só poderia enxergar quem tivesse saído da base dessa paixão, do meio da torcida, de quem vai com o time e grita para o time: 'vai'.
Explorar a paixão, o sentimento, o conceito de jamais abandonar.
Ao time foi dada uma base, uma espinha dorsal.
Acesso. Que se foi fácil poderia ter sido difícil impossível, forçado.
O Corinthians campeão da Libertadores começa com o Corinthians caído diante do Tolima.
Seria a hora de mudar tudo. Seria, não foi.
Houve pulso para segurar o treinador. Loucura, insanidade, decisão errada.
A ele concedidos tempo e confiança.
Foi montado um time. Sem gênios, sem magia, apenas um time. Que por vezes joga feio, mas quase sempre eficiente.
Eficiência. O primeiro critério em uma Libertadores, talvez o principal em um Mundial de Clubes.
Enxergar o jogo, promover inversões de posições. Ser eficiente. Ser campeão.
Com méritos, todos os méritos.
Do subsolo ao topo do mundo...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Que dá, dá

O Corinthians da Libertadores vence o Chelsea da Champions League.
O Corinthians do Campeonato Brasileiro vence o Chelsea do Campeonato Inglês.
O Corinthians do primeiro tempo da partida contra o Al-Ahly faz frente ao Chelsea da partida contra o Monterrey.
O Corinthians do segundo tempo da partida contra o Al-Ahly sobe no telhado diante do Chelsea da partida contra o Monterrey.
O Corinthians diante do Chelsea entrá com a concentração no ponto máximo.
O Corinthians pode repetir o primeiro tempo da partida contra o Al-Ahly..

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Do subsolo à cobertura

A fama adquirida de raça, vontade e superação foi construída ao longo de 102 anos com uma somatória de pequenos, médios e grandes fatos.
Mas jamais a história do Corinthians escreveu capítulos tão belos, iniciados em tragédias incomensuráveis. Jamais houve glórias tão grandes construídas a partir do que se pode entender como fundo do poço.
O ápice que pode ser atingido em poucos dias parece secundário diante daquilo que já aconteceu. Porque ganhar o mundo ou ter a chance de vencê-lo é a consequência da conquista continental. E pergunte a qualquer corintiano o valor que teve a conquista continental.
Alguns acreditam que o ápice já foi atingido. Se o prêmio máximo vier agora, ótimo, mas se não vier não haverá suicídio coletivo.
A reestruturação corintiana começa no final de 2007, quando uma queda levou o clube a abrir os olhos e ver que a administração, embora vitoriosa no papel, capengava há algum tempo e precisava ser mudada. E só um fato muito convincente foi capaz disso. Ao anunciar alterações estrondosas no dia seguinte à queda, a nova administração mostrou que já estava preparada para o descenso e já pensava em como mandar o Corinthians de volta à parte que lhe cabe neste latifúndio.
Consistência.
Trazer um treinador, dar segurança a ele, contratar um time sem medalhões mas com uma cara, um RG, uma identificação.
Um ano depois, o retorno e, agora sim, com um medalhão. Por sinal, uma medalha tão grande que só na barriga dele para encontrar espaço.
Barrigudo, machucado, fora de forma, jogou muito durante seis meses. Títulos, consequência, resultados.
Estava no caminho certo e o restante aconteceria, era questão de tempo.
Até surgir a segunda tragédia. Inesperada, surpreendente, decisiva.
Alguém quis apagar o trabalho, terceirizou o serviço e disse: "Tó, lima".
Começar do zero, trocar do presidente ao faxineiro, fingir que nada aconteceu.
Somente a terceira medida.
O presidente ficou, desafiou tudo e todos e manteve o treinador. Respaldo, confiança, consequência.
O Corinthians de hoje é consistente, seguro, domina as situações. Há cinco anos mantém a espinha dorsal de Cristian/Elias, Elias/Jucilei, Jucilei/Ralf, Ralf/Paulinho. Quase sempre tem os mesmos nomes na defesa, um meia habilidoso e um atacante que mande a bola pra dentro do gol.
Chegou onde queria. Pode ir mais longe, mas se não for não será necessário começar tudo de novo.
Perder um Mundial não é tragédia.
Se for, espere por mais vitórias nos próximos anos...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

No dos outros

Torcedor é tudo igual.
Não, não é uma afirmação, nem a conclusão de um estudo da mega universidade da Europa, desenvolvido por uns nerds que jamais sujaram o traseiro no cimento da arquibancada.
É um fato nu e cru, puro e simples. Um fato, uma verdade.
Torcedor é tudo igual.
Léo falou o que quis e ouviu o que não quis.
Sabia que isso ia acontecer. Não chegou agora. Sabia que haveria reação. Provocou mesmo, na cara dura.
Exagerou ao estabelecer o parâmetro aeroporto/rodoviária.
Virou mito.
Mas a torcida para o Barcelona foi uma afronta.
Não, a torcida para o Barcelona faz parte do futebol, da brincadeira, da rivalidade. Foi saudável.
Como foi saudável a provocação do Léo.
Não, a provocação  do Léo foi ofensiva.
Como foi ofensiva a torcida para o Boca Juniors em julho.
Não, a torcida para o Boca Juniors em julho foi saudável.
Como foi saudável a torcida para o Peñarol em 2011.
Não a torcida para o Peñarol em 2011 foi ofensiva.
Torcer para o Manchester United foi saudável em 1999. Torcer para o Chelsea em 2012 é ofensa.
Torcer para o Barcelona em 2011 foi ofensa. Torcer para o Chelsea em 2012 é saudável.
E assim segue o mundo das áreas retangulares e verdes, onde se tenta acertar outro retângulo com um objeto esférico.
Um entretenimento, uma grande diversão.
Desde que atinja somente o outro...