domingo, 29 de abril de 2012

Na Indy, de novo, outra vez

Fim de semana dedicado àquela desaparecida física e presença virtual básicas.
Estamos no Anhembi, para a SP Indy 300.
Tal e qual na Fórmula 1, você abandona questões secundárias como casa, família, vida social, para virar dias inteiros entre pista, boxes, pit lane, garagem, sala de Imprensa, café.
E achando tudo isso o máximo.
Porque na verdade é o máximo.
Cansativo, aborrecedor e extremamente gratificante.
Um pouco mais na Indy.
Porque na Indy não tem frescura, não tem proibição, não tem "não pode".
Sem abusos, nem interferências, tudo pode.
Pode chegar perto dos pilotos, pode ver os mecânicos trabalhando nos carros, pode circular por um paddock aberto, a poucos metros dos boxes.
A equipe não dá 5 minutos para o brazuca conceder entrevista em português. A organização reúne os brasileiros em uma coletiva e por vezes você fala com um deles na saída. E são todos solícitos. Sabem da importância de você estar ali. Atendem a todos da mesma maneira. Não privilegiam ninguém.
E evidente que o Grupo Brandeirantes goza de alguns privilégios. Nada mais justo, o evento é deles. Não fosse por eles e nada aconteceria. Estão no direito deles, nada a questionar.
Tem quem não valorize, seja a categoria ou o evento em si. É da vida, não dá para agradar a todo mundo.
Estou feliz. Quase pegando no sono, por incrível que pareça, mas feliz...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tempo curto

Jamais gostei da rotina.
Não nasci para fazer as coisas todos os dias no mesmo horário.
Teria problemas se trabalhasse das 8 às 12h e das 14 às 18h de segunda a sexta.
Fatalmente começaria a fazer as mesmas coisas nas horas livres.
Não haveria mais sentido nas coisas. Seriam feitas por osmose.
Prefiro o inesperado, as mudanças radicais e repentinas, as alterações nas programações.
Mas o preço é alto.
A Fórmula 1 chegou à quarta etapa e somente em uma houve um post correspondente neste espaço.
No GP da Malásia, as voltas finais foram vistas em lugar incerto e não sabido. Ou melhor, certo, sabido e não revelado.
Enquanto Rosberguinho vencia na China, a rota em direção ao aeroporto estava sendo elaborada.
Enfim, o ano tem alguns fatores especiais, que esgotaram com as horas dedicadas às pistas.
Continuo com a opinião de que não dá para cravar muita coisa.
O triunfo Mercediano em Xangai mostrou-se mais um lapso do que o retorno triunfante de Ross Brown. Mas prefiro aguardar a abertura da temporada europeia, com pistas conhecidas.
O mesmo vale para a vitória de Sebastian Vettel em Sakhir.
Não há como cravar se o alemãozinho voltou. A corrida foi vencida por quem soube estabelecer a melhor estratégia com os pneus.
Foram quatro etapas e há temporadas em que quatro etapas determinam como será o campeonato.
Não é o caso de 2012.
Porque ninguém sobressai. Tivemos quatro vencedores diferentes. Não há um domínio.
Agora sim, a coia toda começa. É na Europa, no quintal de mutia gente.
O que vamos observar:
1 - Vettel ainda é o mesmo? E a Red Bull?
2 - A Mercedes evoluiu ou mandou bem na China e só?
3 - Até quando a Ferrari aguentará Felipe Massa? O carro é ruim, Fernando Alonso venceu uma e tem andando muito na frente do brazuca.
Enquanto isso, vamos ao Anhembi cobrir a Fórmula Indy. Sem estrelismos, sem frescuras, com maior equilíbrio.
E que a chuva dê sossego neste ano...

sábado, 14 de abril de 2012

Feliz Aniversário

O garoto ficava assustado ao ver o pai gritar.
Muito assustado.
Chegava a torcer para a bola não entrar.
Era o pai motivado por uma partida de futebol. Uma das raríssimas transmissões para a praça onde era realizado.
Era um jogo em Santos, no Estádio Urbano Caldeira, ao mesmo tempo sendo mostrado na televisão do apartamento no Bairro Aparecida.
Era o Santos em campo.
O garoto não entendia, mas de alguma forma aquilo tudo mexia com o pai contido, discreto, elegante, que não expunha e dificilmente iria expor seus sentimentos.
Nunca foi obrigado a gostar daquele esporte que consistia em colocar 22 marmanjos atrás de uma bola e quem conseguisse acertar aquele retângulo branco ficava feliz. Muito menos foi forçado a gostar daquele time que ora vestia branco ora listrado em branco e preto e para quem as coisas pareciam difíceis, trabalhosas, mas que quando conquistadas davam um orgulho e uma felicidade indescritíveis.
Podem ter sido as manhãs de sábado dedicadas a ver os treinos in loco. Poder estar perto daqueles jogadores só vistos pela televisão, entrevistado por repórteres que eram de carne e osso e estavam ali, a centímetros de distância. Dificilmente foi a primeira partida acompanhada no estádio, quando o medo dos fogos de artifício disparados da arquibancada desviou a atenção do garoto e possivelmente do goleiro Marola, que, quando enfim localizado pelos olhos do garoto, buscava a bola no fundo das redes no gol de empate do Botafogo de Ribeirão Preto.
"Aí...não presta atenção", disse o torcedor ao lado.
Falava de Marola e, sem querer, falava do garoto.
Não foi fácil ao garoto atravessar os 90 minutos da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1983. O Atlético Mineiro tinha um time maravilhoso e a partida era no Mineirão. O Santos se defendeu como pôde. O alento veio com a expulsão de Reinaldo. O alívio, quando a partida terminou. Claro que o Flamengo era melhor, mas o Santos tinha Serginho, aquele mesmo atacante que quando estava no São Paulo era odiado pelo garoto, por tantos gols que marcava no Santos. O mesmo Serginho que fez o pai do garoto ir à Vila Belmiro no dia de sua apresentação e ali, em meio à multidão e agora dando a mínima para os fogos, o garoto subiu no colo da tia para ver o futuro artilheiro de seu time ir embora em um Fiat 147.
O placar de 2 a 0 no Morumbi dava a certeza. O gol de Baltazar a tirou. Poderia pesar no Maracanã. Pesou. Estava 2 a 0 para o Flamengo e o garoto achando que dava para reverter. Ah, Adílio...deu o tiro me misericórdia aos 44 minutos do segundo tempo. Um chute no sofá simbolizou o sentimento. Não deu, não rolou, já era, Perdeu.
Mas quem liga? Foi no mesmo canto direito do sofá posicionado em frente à TV. Um pulo, um grito, mais pulos, pulos sem fim. Serginho havia marcado o gol. O Santos estava vencendo o Corinthians. O título paulista de 1984 havia chegado.
Depois dele, chegaram os anos seguintes. Derrotas, desesperança, amadorismo. Adolescência, competitividade, clássicos, vitórias, jogos decisivos, derrotas. Carimbar a faixa do campeão era suficiente.
Não, não era, mas tinha que parecer que era.
Algumas vitórias sobre o Corinthians, gol de voleio, Guga. Ser o único time a vencer o campeão Palmeiras no Brasileiro de 1993. Vencer por 1 a 0 o soberano São Paulo.
Sim, pensar pequeno. Não conseguir nada e achar que era feliz.
O dinheiro era curto. A presença no estádio, rara.
Derrota por 4 a 1 no Maracana.
"Já era, deu Fluminense".
Não, deu Giovanni.
"Agora ninguém tira".
Márcio Rezende de Freitas tira.
Aumenta a frequência no estádio. Frio, chuva, presença.
"Não posso ir hoje. Vai lá e cobre o dia do Santos"
Era manhã de sexta-feira. A Rádio Atlântica entraria com o programa de esportes no ar em 1h30. Fala o técnico Emerson Leão. Hira de gravar e reproduzir mais tarde, ao vivo para a rádio.
Jornalista. Repórter esportivo. Cobertura do Santos.
A partir de agora não se torce mais. Não tem cabimento. Não é profissional.
Curioso. Você não grita 'gol' e as coisas continuam como sempre estiveram. Legal esse negócio de ficar inerte ante a explosão de um estádio. Olha esses torcedores. Parecem uns bobos...iguais a mim, que até outro dia era mais um bobo ali em cima.
"Aê, repórter filho da puta! Tu deve ser corintiano!"
Meu Deus, torcedor pensa assim. O cara tem que falar bem do Santos a vida inteira.
E até outro dia eu era mais um bobo ali em cima.
Não se xinga mais o cara que perdeu o pênalti. Não se cobra mais o time que sai de campo derrotado. Se pergunta, para obter informações. Nada mais do que isso.
"Agora entrevisto o Robert. Outro dia estava na arquibancada e gritei por um gol dele".
Profissionalismo. Sorrir para a câmera da TV e gravar uma passagem dizendo que o Corinthians estava na final do Campeonato Paulista de 2001, que o gol do Ricardinho fez o Morumbi ruir.
Moído estava o repórter. Alegria fingida para a emissora que ia muito além de Santos e exigia a cobertura imparcial.
Imparcialidade exigia transmitir a notícia.
A notícia era a classificação do Corinthians.
E isso exigia sorrisos no gramado do Morumbi.
"Luciano. Acho que consigo sorrir por oito segundos. Liga a câmera e eu vou gravar a passagem de primeira. Se eu errar, vai sem passagem mesmo".
Foi. Com passagem.
Contar no jornal a construção de um título inimaginável naquele momento. Descrever a partida em que tudo aconteceu, até o inesperado: o dia da redenção. Sim, algumas lágrimas rolaram depois, às escondidas, longe de tudo e todos.
Só a geração de 2002 para provocar isso.
"Não, não vou comemorar esse título". E a buzina do Gol 97 preto ficou gasta com a comeoração do Brasileiro de 2004.
Alguns anos afastado do esporte. A taça veio de helicóptero.
O retorno. Ver o time campeão pela primeira vez in loco e logo uma Libertadores. Viagens ao exterior, oportunidades jamais pensadas, quase impossíveis de serem executadas em condições normais.
Obrigado, Santos Futebol Clube.
Vi 35% de sua vida. Espero ver e relatar muito mais.
Um feliz aniversário.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sempre

Toda vez que alguém discute um lance em que jogador tirou a bola da mão do goleiro e coisa e tal eu lembro disto.

http://www.youtube.com/watch?v=52oEPba1MOo

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sepang, sexta-feira (com sono)

Nem sei dizer por que cazzo acompanhei os treinos de sexta-feira em Sepang.
Vou dar uma desaparecida básica no final de semana, que compromete qualquer possibilidade de acompanhar a prova.
A coisa não mudou muito em relação à Austrália.
Nos dois treinos deu Lewis Hamilton.
À tarde, quando os tempos são avaliados com um pouco mais de seriedade, Michael Schumacher foi o segundo e Jenson Button o terceiro.
O pessoal das asinhas vai mal, obrigado.
Sebastian Vettel foi só o 10º. Mark Webber ainda ficou em 7º.
As Ferrari?
Lá atrás.
Fernando Alonso nem tanto. Ficou em 6º. Felipe Massa foi o 16º.
É, está perto de alterar o nome para Felipe Assa.
Porque a batata já assou...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Se fosse possível

O dia 21 passou.
E acabou a onda de falar em Ayrton Senna.
Sim, entrei nela, postei o vídeo.
Estava esperando as acusações de ufanismo exacerbado, de ser manipulado facilmente, de ser levado pela mídia (leia-se Globo) e que teve muita gente melhor que ele.
Mas o que realmente intriga é a tentativa de responder a algumas perguntas.
A esta altura de um campeonato que insiste em não começar, eu já teria entrevistado Ayrton Senna? Em quais circunstâncias? O que perguntaria?
Provavelmente sim, já o teria entrevistado no paddock de Interlagos ou em algum evento o qual eu, sabendo dessa possibilidade, moveria mundos e fundos para ir.
A esta altura, conquentão, Ayrton seria provavelmente um pentacampeão mundial, porque os títulos de 1996 e 1997 eram dele. Teria encerrado a carreira na Ferrari, sabe-se lá se acertando ou não o carro. Não creio que seria comentarista da categoria, mas poderia das uns pitacos em algumas provas.
O gravador tremeria na mão na primeira entrevista. Assim aconteceu somente em três oportunidades: diante de Pelé, Romário e Nelson Piquet. Na segunda oportunidade talvez não tremesse e na terceira as perguntas já seriam na base do "E o Massa? Neste ano vai ou não vai?"
Ayrton não viu a nova safra de jornalistas chegar aos autódromos. Não virou trending topics todos os finais de semana. Não ganhou quadros e mais quadros no Facebook. Ayrton não foi fotografado no meio da rua e a foto não foi postada no twitpic. Não precisou criar o perfil @realsenna para ganhar 4 milhões de seguidores e combater os fakes.
Ayrton foi Ayrton no boca a boca, nas imgens da TV e só.
Talvez as perguntas básicas fossem feitas, talvez as menos comuns. Fato é que se fosse hoje, agora, não sei qual seria a primeira pergunta.
Só sei que seria a primeira entrevista. E o gravador iria tremer...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ayrton, 52

Bora ser parte integrante dos Trending Topics.
Sempre haverá um chato para chamar um post deste de aproveitador.
Sempre há o que não se curva à Rede Globo e acha que o Gabriele Tarquini foi melhor.
E quem disse que eu ligo?
O cara foi gênio e está na galeria dos gênios.
Não é ufanismo. É fato...

domingo, 18 de março de 2012

Trocas melbournianas

A McLaren virou Red Bull, a Red Bull virou Ferrari e a Ferrari virou Caterham.
A vitória de Jenson Button em Melbourne chegou no estilo Sebastian Vettel 2011.
O segundo lugar de Sebastian Vettel chegou no estilo Fernando Alonso em 2010.
O quinto lugar de Fernando Alonso chegou no estilo Fernando Alonso de ser. Tira leite de pedra de um motor de geladeira que a Ferrari resolveu chamar de carro de Fórmula 1.
Lewis Hamilton completou o pódio. E Mark Webber foi o quarto.
Kimi Raikkönen voltou à categoria para ser o sétimo colocado.
Os brasileiros? Bem...
Button teve a esperteza de pular na frente do pole Hamilton na largada. E a McLaren estava sobrando em Melbourne. Lembrou o time de 1988, a Williams de 1992/93. Os dois carros foram embora e deixaram a briga do terceiro para trás.
O terceiro era Michael Schumacher. Isso até a Mercedes deixá-lo sem suspensão.
Suspensão que também tirou Romain Grosjean da prova. O piloto da Lotus havia largado em terceiro, mas caiu lá para trás logo no início da prova.
Alonso, esse sim é um animal. Largou em 12°, tinha um carro (?) horroroso nas mãos e pulou para o quarto lugar. Foi perder a posição perto do fim.
Vettel deu sorte. Sim, porque Vitaly Petrov abandonou a prova na volta 38, mas deixando o carro na reta dos boxes, o que provocou a entrada do safety car. Foi a hora em que o alemãozinho entrou nos boxes. Quando voltou, estava em segundo lugar.
Logo depois que o safety car recolheu, Bruno Senna e Felipe Massa disputaram um honroso 13º lugar com tanta vontade que se tocaram com força. Para o ferrarista, uma quebra da asa traseira encerrou a prova ali mesmo. Bruno teve o pneu esquerdo traseiro danificado, trocou-o, deu mais algumas voltas e recolheu de vez.
Button só teve o trabalho de cruzar na frente.
Menção honrosa a Pastor Maldonado que iria entrar na zona de pontuação. Isso até bater forte na última volta.
Semana que vem tem prova na Malásia. Apostar nos destinos da temporada, por enquanto, não dá.

sábado, 17 de março de 2012

Melbourne - o grid

Ou a Fórmula 1 mudou muito, ou entrou em uma temporada atípica, ou vivencia um fim de semana atípico.
Vettel? Red Bull? Dobradinha da McLaren, com Romain Gorsjean se enfiando no pódio se a corrida terminar assim. O campeão de 2008 marcou 1min24s922 e nem precisou daquela volta rápida, cercada de expectativas, com todo mundo olhando para os monitores.
E assim está formado o grid em Melbourne.
Com Michael Schumacher em quarto, com as Ferrari lá atrás, com os brazucas lá atrás. Com campeão do mundo muito atrás.
Porque a Lotus não sabe se festeja o terceiro lugar do Grosjean ou se olha para Kimi Raikkönen e um pergunta ao outro quem contratou. O finlandês larga em 18º. Errou na volta rápida e nem passou do Q1.
"I don't care".
A Ferrari ainda vai melhorar. Deixa só começar a tempor...ah, é, já começou...
Um time que usa pneus macios no Q1, que tem um engenheiro que manda o piloto aquecer os pneus dianteiros quando a suspensão deveria fazê-lo...pois é, não é a Ferrari. E ainda teve Fernando Alonso saindo de traseira e parando na brita, provocando uma bandeira vermelha no Q2. Mesmo assim, tinha um tempo bom e quase ficou entre os 10. Quase, porque sai em 12º. E Felipe Massa em 16º, quase 1 segundo mais lento.
Bruno Senna larga em 14º.
Ainda há uma corrida para a normalidade voltar. Uma temporada para sabermos se aberrações temporárias podem acontecer. E pelo menos uns três anos para sabermos se a Fórmula 1 mudou mesmo.
Por enquanto, mudou...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Feliz aniversário, pai

Nesta sexta-feira meu pai completa mais um ano de vida.
Eu iria almoçar com ele, falar com ele e sobretudo ouví-lo. Não o abraçaria. Ele não é chegado a isso e eu respeito os limites que as pessoas impõem. Mas estaria lá.
Não poderei. E não por não querer, mas por força do trabalho. Enquanto as horas do aniversário dele passam, estarei entre aviões, aeroportos, conexões, imigração, troca de dinheiro e o inevitável medo do desvio de bagagens. É o retorno do Peru depois de quatro dias de intenso trabalho
Tabalho, numas, porque por mais que se rale, dá para se divertir. Falar em Peru é remeter qualquer pessoa a Lima e Machu Pichu, nada mais natural, mas jamais ouvi alguém dizer "passarei minhas férias em Chiclayo". Porque Chiclayo tem suas particularidades, mas não faz parte da rota turística. Mas aí vem a tal paixão pelo Jornalismo, a tal paixão pelo futebol, o Jornalismo Esportivo que te proporciona juntar tudo isso e, para dar o toque final, chega a tal Libertadores e a possibilidade de um time de Chiclayo estar nela. E de enfrentar o time da sua cidade.
E aqui estou. Feliz, muito feliz. Vivendo experiências profissionais que jamais serão esquecidas. Nem preciso falar sobre as experiências pessoais.
Estou feliz por estar longe do meu pai no aniversário dele. É possível entenderFoi meu pai quem me levou pela primeira vez à Vila Belmiro, para ver Marola levar o gol de empate diante do Botafogo de Ribeirão Preto. Foi ele quem deixou de descansar em várias e várias manhãs de sábado para ver o Santos treinar na Vila (sim, naquele tempo podia entrar). Só que, antes do treino, era preciso esperar a conclusão da leitura do jornal do dia, de preferência 'A Tribuna', um jornal que ele lia desde os tempos em que morava em São Paulo e queria saber o que se passava na cidade onde ele nasceu.
Foi meu pai quem me levou pela primeira vez aos estúdios da Rádio Clube de Santos. Foi ele quem incentivou o moleque de 9 anos a falar pela primeira vez em um microfone, em um programa ao vivo. Eram dele os textos lidos pelo mala de 10 anos que apresentou umas e outras vezes um programa de 25 minutos ao vivo.
Foi meu pai quem abriu o sorriso ao ver que o adolescente contrariava a mãe, que queria um filho médico, respondendo de forma direta: "Quero ser repórter esportivo de rádio. Quero entrevistar jogador, tomar sol, chuva, copadas e pilhas na cabeça". Foi dele um sorriso que se alastrou ao ver a entrada na faculdade de Jornalismo e ao ouvir pela primeira vez a voz do filho em uma rádio, agora profissionalmente.
Era ele quem ligava a TV diariamente quando o filho trocou de mídia. Não importava a data, a hora ou a emissora. A audiência estava garantida. E foi ele quem simplesmente continuou com o hábito de comprar jornais diariamente, mas com um pouco mais de ansiedade. Era preciso ver se o nome do filho assinava algum texto.
Este texto meu pai não irá ler. Ele e a internet não se conhecem e não vejo perspectivas de que isto aconteça um dia. Ele sabe que eu queria estar lá. Eu se que ele quer que eu esteja aqui. Dar parabéns pessoalmente, para ele, é banal. Ver o nome do filho na assinatura da matéria é o grande presente.
Então valeu, pai. Tamo junto, mesmo que separados!