Não é fácil fazer o estilo "pombo da discórdia", "urubu", "abutre", ou qualquer outra ave que represente uma possível torcida contra, sobretudo quando essa torcida não é uma realidade.
A compreensível paixão com a qual o caso Robinho vem sendo tratado, por vezes (e não são poucas) supera a razão. Compreensível por se tratar de um jogador que devolveu ao torcedor o orgulho de torcer, por mais redundante que a frase se torne. Robinho devolveu ao torcedor a confiança de ter em campo um jogador que resolve, que faz a diferença.
Porém, entretanto, contudo, mas, há um transcedente e, ao mesmo tempo, abafado jogo de interesses nesse processo. Robinho estava em baixa na Europa e não tinha a menor vontade de se tornar o novo Denílson, aquele que foi sem nunca ter sido. Neste momento, precisa do Santos para recuperar a autoestima e dizer a Dunga: "Estou aqui".
O Santos vinha de dois anos ruins, trocou a diretoria e precisa recuperar o pouco espaço que tinha na mídia. Mais do que isso: quer atrair dinheiro, investidores, patrocinadores. Precisa de Robinho.
Não houve nenhum, eu disse nenhum programa de TV que não citasse a volta do jogador. Não houve nenhum site de notícias que ignorasse o retorno do alteta. Robinho está na mídia. O Santos está na mídia. A estreia dele terá, pelo menos 5 mil câmeras. Muita gente vai querer estampar a marca na camisa do Santos nesse dia.
Pensando de modo racional e comercial, foi bom para os dois. Atendeu aos interesses dos dois. Dá-se uma ignorada no que aconteceu em 2005, as duas partes lucram e vamos que vamos. Robinho vai à Copa e o Santos, apesar das tentativas de Marcelo Teixeira, manda, na administração de Luiz Álvaro, um jogador à Copa, algo que não acontece desde 1974.
É ou não é bem interessante?




