segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A conquista de todos

O livro está pronto. Pesquisado, detalhado, contado, escrito.
O prefácio está entregue. A dedicatória principal está na mente. As fotos separadas.
O título brasileiro que o Santos conquistou em 2002 vai muito além da conquista de um campeonato.
E não precisa ser torcedor do Alvinegro para saber.
Corintianos e palmeirenses, que amargaram longas filas, sabem o valor que têm datas como 13 de outubro de 1977 e 12 de junho de 1993.
Tanto quanto o 15 de dezembro de 2002.
E quem não torce para nenhum desses times e simplesmente admira esse esporte que coloca 22 marmanjos tentando acertar um retângulo com um objeto esférico sabe o tamanho que teve essa conquista.
Porque não existiria o futebol-arte, o encanto, a admiração, os raios que insistem em cair no mesmo lugar de tempos em tempos se não amanhecesse um dia de sol depois de 18 anos de tempestades, se um furacão denominado Ricardinho não provocasse um arraso no que ainda restava de terra ao encontrar uma brecha, um cantinho praticamente invisível no anoitecer do frio e cinzento 13 de maio de 2001 em um Morumbi quase sempre gelado, porém naquele momento aquecido pelas mais de 20 mil vozes corintianas, com um grito em uníssono que não somente entrou pelos ouvidos dos santistas como foi direto para a alma, para lá bater e permanecer, transmitindo a mensagem de que não havia mais esperanças.
Não haveria simbolismo não fossem os 19 meses de geladeira, de ostracismo, de canto da página do impresso, de esvaziamento de cada atividade. Não haveria grandeza não fosse o porte físico franzino daqueles garotos que mal haviam saído do colégio e estudavam noite e dia em busca de uma nota A quando muitos acreditavam que um B levaria à reprovação e ao rebaixamento de série. Certeza que aumentou quando um dos professores auxiliares teve de se ausentar e voltaria somente se os garotos entrassem em recuperação. Chamado de 'Fera', aumentou ainda mais a responsabilidade do Rei da Selva, que naquele momento sabia que no mínimo uma nota 6 iria garantir com aqueles alunos.
Não haveria comoção se a Bacia do Macuco e a Bacia do Mercado não entrassem em festa pela classificação na bacia das almas. Festa para a qual o convite não garantia a companhia da mulher mais bonita na valsa, mas o mestre anunciou que esse seria o objetivo.
Não haveria emoção não fossem os 180 minutos de um sonho que começava a se tornar real diante do triunfo sobre aquele esquadrão que parte da Imprensa apelidou de Real, não fosse o chocolate com cobertura trilegal sobre o excelente Tricolor do Sul e, principalmente, não fosse o reencontro com o time responsável pela maior dor dos últimos anos. A 5ª marcha foi engatada para determinar a quinta vitória consecutiva em partidas disputadas no mesmo ano, sendo que na segunda a molecada disse ao mundo que existia e, na sequência, mandou uma bicicleta e oito pedaladas para atropelar e se consagrar.
Consagração que não caberia em uma página, um caderno, uma série no impresso, que se perderia nos milhares de links, fotos, propagandas e imediatismo da internet, que teria detalhes abandonados no rigor do relógio da grade de programação da televisão.
Virou livro. E com os personagens dessa história contando passo a passo como ela se deu, como foi construída, de que maneira virou realidade.
Está em campanha. Financiamento coletivo. Ninguém é obrigado a nada, faz quem quer, ajuda quem tem vontade.
O link com todos os detalhes e com a possibilidade de apoio está aqui.
A conquista tem um só dono: o Santos Futebol Clube.
Que até agora publicou uma nota no site oficial e nada mais.
Há quem defenda a tese dos títulos com donos, conquistas das administrações.
Há a esperança de que o Santos de hoje não entenda que apoiar uma conquista da administração de ontem seja reconhecer que um bom trabalho 'dos outros' deu resultados.
Até porque muitos frutos do que os outros plantaram foram colhidos posteriormente, pelos 'de hoje'.
E não haveria o Santos de hoje se não houvesse o de ontem, ou o 'dos outros'...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A mania do megalo

O processo é bastante comum, e, de certa forma, natural.
O que começa errado não pode dar certo.
O que começa com uma mentira vai mostrar a verdade, cedo ou tarde.
E o que passa pela supervalorização uma hora irá mostrar a cruel face da realidade.
Começou com a mentira do motivo da viagem à Espanha.
O dirigente foi lá por razões pessoais enquanto time jogava a primeira partida da final do estadual.
Um dia depois de, numa tarde fria, chuvosa e por diversas razões esquecível de uma sexta-feira ter dito de maneira categórica que o principal jogador do time não estava à venda. E disse um dia depois do destino desse jogador começar a ser traçado.
Viagem por razões pessoais e o dirigente de lá, sabendo disso, voou para Madri.
Foi o que disse o dirigente daqui.
Quatro dias depois da final do estadual o pai do jogador diz que a novela acabou e ele fica no Brasil. Disse de maneira categórica, irônica e irritada. Porque a Imprensa o irrita. Ele está anos-luz acima dos reles mortais que empunham microfones e gravadores. Ele é o pai da Joia, o responsável pela carreira, aquele ao qual a estrela se reporta.
Se o filho se reporta, que maltrate o repórter.
A verdade é que ele queria ser a estrela. Não é, nunca foi. O filho foi por ele.
Disse que a novela estava encerrada. No dia seguinte, foi. A reunião avançou pela madrugada. Falaram da segunda proposta. A primeira já estava aceita há muito tempo. Restava saber de que maneira a grana iria entrar.
Veio a mirabolante ideia: Uma parte da grana por aqui, a outra por ali e dois amistosos: um lá e outro cá. Ou rolavam os jogos ou vinha uma grana limpa.
Aí o clube não coube em si. Como há mais de três anos não cabe em si. Sofre de crise de identidade. Se vê muito acima do que realmente deveria ser, pela história que tem.
“Nossa, um dos maiores do mundo nos chamando para um churrasco na casa deles. Claro que vamos. É só dizer quando. Só os gigantes são chamados. E somos gigantes. Não deveríamos nem usar o plural, porque perto de nós qualquer outro deixa de existir. Esquece o dinheiro. Vamos brilhar lá. Cuidado, porque nossa luz ofusca o que estiver mais ou menos perto”.
Foram. E mancharam o nome, a história, o tamanho.
A megalomania falou alto. O deslumbramento continua a falar alto.
Tão alto que a declaração sobre a primeira reunião ter sido um convite do pessoal de lá passou despercebida.
Estavam com dezembro de 2011 na garganta.
Acharam que a vingança é um prato que se come frio.
O churrasco foi servido. E degustado com prazer.
Mas a especialidade na Catalunha não é carne.

É Peixe...

Viva o folclore!!

"Estarrecido, meu caro. Estarrecido".
Começou desta maneira a mensagem enviada via WhatsApp para o Maurão.
Maurão, sim. Porque Mauro Beting é pouco.
Pouco para falar de alguém que recebe uma ligação às 19 horas e ouve: "Mauro, sou Paulo Rogério, estou começando a escrever a biografia do Fiori Gigliotti e o Marcelo, filho do Fiori, gostaria que o prefácio fosse escrito por você..."
E às 11 da manhã do dia seguinte ele envia uma mensagem perguntando meu e-mail para enviar o texto.
E o texto?? Ao estilo Mauro Beting. 
Faz quase um ano que estive com ele pessoalmente, no café da área externa do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
Mauro estava à vontade, parecia estar em casa. E, a bem da verdade, estava em casa. Porque ele pisou lá pela primeira vez aos nove anos de idade. Começou a vida profissional lá e tinha quase uma década de rádio.
Acompanhou o pai, trabalharam juntos e foi naquele microfone que ele anunciou que o pai tinha ido embora.
Quase dez anos de competência, profissionalismo e caráter.
Mas quem precisa disso? 
Tudo isso passa a ser superficial diante do folclore, do pão e circo, da audiência.
Porque o que importa é a audiência.
Dizem que é a partir dela que o faturamento cresce.
O profissionalismo, a ética e a competência não aumentam o faturamento.
Com eles, sobe apenas uma tal de credibilidade.
Mas quem precisa dela diante do dinheiro a mais que entrou em virtude do folclore, do pão e circo, da audiência?
Mauro não é folclórico, não entra em pão e circo.
É apenas profissional e competente, além de ético.
Mas quem precisa da ética?
Ética não provoca aumento no faturamento.
Ética é dispensável, profissionalismo é dispensável, caráter é dispensável.
Mauro é dispensável.
Há quase um ano escreveu a respeito de Fiori Gigliotti.
Assim como Mauro, um profissional, competente e ético.
E também recebeu o devido bilhete azul.
Quem pecisava de Fiori?
Quem precisa de Mauro?
Viva o folclore, viva a audiência, viva o faturamento!
O resto? Bem, é resto...

domingo, 28 de julho de 2013

Blefe húngaro

Ou Lewis Hamilton estava blefando, ou a Mercedes ficou preocupada com a opinião de seu piloto, se coçou e proporcionou a ele melhores condições para a corrida. Porque quem vê o cara no alto do pódio acha impossível o próprio piloto ter dito, no sábado, logo após estabelecer a pole, que "só um milagre daria a vitória à Mercedes".
Hamilton demonstrava, ao menos nas declarações, uma vasta preocupação com os pneus. Não era exclusividade dele, considerando os mais de 40ºC de temperatura da pista. Mas as palavras dele continham uma dúvida a mais a respeito do carro.
Falo em blefe porque um carro acertado de um dia para o outro é comum, mas o tal milagre não. O que fica claro é que o acerto esteve aliado à estratégia e esse conjunto deu a vitória à Mercedes. Porque desde a primeira parada Hamilton entrava nos boxes antes do pelotão que o acompanhava. E quando os demais entravam, ele já estava em um ritmo suficientemente rápido, que o devolvia a primeira colocação sempre.
Ponto positivo foi o comportamento da Lotus. Sim, havia dúvidas a respeito da equipe. Muita gente achando que o time não iria se segurar em boa fase por muito tempo.
Ponto negativo foi a corrida de Sebastian Vettel. Ok, chegou em terceiro, caminha para um tetracampeonato sem sustos, mas perdeu muito tempo atrás da McLaren de Button. E o carro prateado, sabemos, está longe de ser aquele de outrora.
Pausa para as férias e a Fórmula 1 começa o segundo tempo no fim de agosto.
Sabe quem costuma predominar após a saída da Europa, quando as provas serão disputadas entre Ásia, Oriente Médio e Brasil??
Vettel...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

E se?

Fórmula 1 no Brasil virou esporte há pouco tempo.
Até outro dia, era uma fábrica de heróis nacionais e vilões internacionais.
O 'nosso' piloto era o melhor e o de fora era ruim, jogava sujo, deveríamos torcer contra.
Estão dizendo por aí que não se sabe se Felipe Massa renova ou não com a Ferrari.
E estão dizendo por aí que, se não for em Maranello, não será em lugar nenhum. Ele tá fora de tudo.
Não sei se é verdade, se não é.
O que sei é que, se acontecer, quem gosta desse negócio chamado Fórmula 1 e dispõe somente da TV aberta em casa, vai precisar pegar os contatos das operadoras de TV por assinatura.
Ou você acha que alguém vai bancar uma categoria que não tem o Brasil-sil-sil?
A coisa toda só não foi largada ainda porque há um contrato e um brasileiro.
Se o segundo não existir mais, pode ser que o primeiro segure um pouco, mas apenas e tão somente um pouco.
Há o público que gosta do esporte (porque agora é esporte). Para eles e até por uma questão de respeito a eles, a TV por assinatura.
Para os demais, aquilo que der audiência.
Até porque a maioria não vai ligar.
Não acompanha desde 1994 mesmo...

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Um passo para trás

Perder para o Boca Juniors é normal.
Perder para o Boca Juniors na casa deles é normal.
Perder para o Boca Juniors na casa deles por 1 a 0 é normal.
O que não é normal é a forma como se perde.
Porque o Boca é o Boca, mas não mais 'aquele' Boca.
O Corinthians é Corinthians, mas na derrota para o Boca não foi 'aquele' Corinthians.
O Corinthians de 2012 venceu o que venceu, entre outros motivos, por ter um psicológico forte. Tinha o controle da situação, não se deixava levar por nenhum fator, fosse interno ou externo. Sofreu um gol na casa do Boca na decisão e não permitiu que a carga e a responsabilidade dos anos sem Libertadores fosse sequer apresentada. Retomou o controle e empatou a partida, para controlar os 90 minutos da decisão no Pacaembu sem ser ameaçado uma vez sequer.
Sem a carga, nem a responsabilidade, mas com a taça em seu memorial, o Corinthians voltou ao palco da primeira decisão com responsabilidade, tensão e nervosismo menores. Levou um gol e tudo indicava a repetição de um filme exibido há menos de um ano. Mas não. O Corinthians sem a pressão virou o Corinthians da pressão, da responsabilidade, do nervosismo, do "vai acontecer de novo". Erros em passes curtos, desacertos, desatenção, psicológico abalado. O mesmo elenco, que joga junto há tempos e se conhece muito bem, dando ares de que havia se juntado minutos antes da bola rolar. Desentrosamento.
Resultado aceitável, dentro dos primeiros critérios, sim. Resultado reversível, sim, mas desde que o Corinthians volte a ser 'aquele' e que o Boca não resolva ter lampejos 'daquele'.
Não deve ter...

domingo, 24 de março de 2013

Kualanas




“Depois da última parada, o time me disse que a corrida tinha acabado, nós tiramos o pé e fomos para o final. Eu também queria disputar, mas, no fim, a equipe tomou uma decisão, que é o que nós sempre dizemos antes do início da corrida, de como provavelmente vai ser: nós cuidamos dos pneus e levamos o carro até o fim. No fim, Seb tomou suas próprias decisões hoje e terá proteção, como de costume. E é assim que é”.
Mark Webber, logo após o GP da Malásia.
Aos fatos:
1- Não há, ao menos costumeiramente, jogo de equipe na Red Bull. Se há. é muito bem desenvolvido.
2- Webber não aceitou o pedido de amizade de Vettel no Facebook porque não o curte há tempos.
3- Ross Brawn ficou possesso com seus pupilos da Mercedes quase saindo no tapa por posições na pista. Brawn é um ex-ferrarista, o que explica muita coisa.
4- Não há jogo de equipe na Ferrari, mas haverá.
5- Hamilton parando nos boxes da McLaren, por enquanto, leva o título de Imagem da Temporada. E dificilmente deixará de vencer tal escolha...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Antes ele

Morreu.
Antes ele do que eu.
Eu não estava lá. Não fui, não iria. E se fosse, ficaria em outro setor. Não levaria nada que fosse abastecido com chamas, fogo, calor. E me posicionaria longe de quem usa essas coisas.
Estava no sofá, vendo pela TV, com opções de transmissões, mas vendo a que dá mais audiência. Talvez para criticar nas redes sociais, acusar de parcialidade.
Mas aí morreu, aconteceu, já foi, se foi.
Acontece, sempre pode acontecer.
Então, que se aproveite a situação. Que aproveitemos a situação. Que nos aproveitemos da situação.
Porque o que for falado repercute. O que for repercutido provoca aumento da fama, do conhecimento.
É a tal da audiência. O fim que justifica os meios.
O apresentador aparece mais que a notícia. O torcedor vai à Justiça garantir seu direito de aparecer, de ser a notícia.
Que se mostre, que se explore, que se procure frases de efeito.
São bonitas, as pessoas encaminham, retweetam, curtem, compartilham, dizem que também estão sentindo, concordam.
Que se busquem soluções. Aquelas que jamais serão colocadas em prática, mas renderão um pouco de fama, talvez por um pouco mais de 15 minutos.
E a razão disso?
Putz, esqueci.
Ah, sim, é verdade. Morreu.
Antes ele do que eu...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Como se reerguer

O Corinthians campeão do mundo começa com o Corinthians rebaixado em 2007.
A queda obrigaria o clube a mudar os rumos, mas sua iminência fez o clube mudar os rumos antes que a queda acontecesse.
Havia um novo comandante antes da queda e foi elaborado um planejamento para a hora em que ela viesse.
Veio. E as mudanças foram anunciadas na manhã seguinte.
Havia onde se basear: na paixão. Mas só poderia enxergar quem tivesse saído da base dessa paixão, do meio da torcida, de quem vai com o time e grita para o time: 'vai'.
Explorar a paixão, o sentimento, o conceito de jamais abandonar.
Ao time foi dada uma base, uma espinha dorsal.
Acesso. Que se foi fácil poderia ter sido difícil impossível, forçado.
O Corinthians campeão da Libertadores começa com o Corinthians caído diante do Tolima.
Seria a hora de mudar tudo. Seria, não foi.
Houve pulso para segurar o treinador. Loucura, insanidade, decisão errada.
A ele concedidos tempo e confiança.
Foi montado um time. Sem gênios, sem magia, apenas um time. Que por vezes joga feio, mas quase sempre eficiente.
Eficiência. O primeiro critério em uma Libertadores, talvez o principal em um Mundial de Clubes.
Enxergar o jogo, promover inversões de posições. Ser eficiente. Ser campeão.
Com méritos, todos os méritos.
Do subsolo ao topo do mundo...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Que dá, dá

O Corinthians da Libertadores vence o Chelsea da Champions League.
O Corinthians do Campeonato Brasileiro vence o Chelsea do Campeonato Inglês.
O Corinthians do primeiro tempo da partida contra o Al-Ahly faz frente ao Chelsea da partida contra o Monterrey.
O Corinthians do segundo tempo da partida contra o Al-Ahly sobe no telhado diante do Chelsea da partida contra o Monterrey.
O Corinthians diante do Chelsea entrá com a concentração no ponto máximo.
O Corinthians pode repetir o primeiro tempo da partida contra o Al-Ahly..