quarta-feira, 23 de maio de 2012

Em e na memória

Vários fios de cabelo estão mais claros que o normal. O mesmo acontece com a barba. Ao ver vários técnicos de futebol, lembro do tempo em que eram jogadores. Alguns eu vi no estádio, outros cheguei a entrevistar.
Em suma: estou ficando velho.
Velho e saudosista.
Nesse segundo quesito, sempre fui um pouco. Gosto de lembrar, reviver. E, de uns anos para cá, com maior intensidade.
Dizem que a idade deixa as pessoas saudosistas.
Mais uma prova...
Houve um tempo, do qual lembro com saudades, em que o futebol não era tão profissional.
Não que hoje seja, mas o sistema anda muito diferente de outros tempos.
Não que o profissionalismo seja ruim, mas tudo que é demais atrapalha. E enjoa.
E havia um tempo em que o torcedor, qualquer torcedor, podia acompanhar o treino de seu time.
Às vezes alguém pedia para ver a carteirinha de sócio, mas na maioria das vezes ninguém estava nem aí.
Era um tempo em que você via os caras de perto, pegava autógrafo, tirava fotos.
Não tinha segurança empurrando. Jogador não acelerava o possante em cima de quem estivesse pela frente. O carro do cidadão ficava do outro lado da rua, todo mundo sabia qual era e ninguém ia lá quebrar o vidro.
Às vezes era preciso esperar um pouco para falar com o jogador, pois ele concedia uma entrevista a algum repórter pentelho que fazia umas 2.624 perguntas. Não tinha (des)assessor vetando tudo...
"Isso deve ser legal. Trabalhar em rádio e no futebol", pensava o moleque que estava lá com o pai, em mais uma manhã de sábado.
Antes, o pai havia lhe mostrado um cidadão que o garoto nunca tinha ouvido falar, mas o pai rasgou elogios.
"Aquele é o Chico Formiga, um dos maiores jogadores que esse clube já viu".
Era estranho ver aquele senhor como grande jogador, grande ídolo. Jogador era o Pita, era o Juary, que estavam em atividade. Curioso saber que, antes deles, alguém tinha feito até mais que eles. Para o garoto, o tal Formiga fazia história comandando os jogadores que estavam em atividade.
Mas ele era o Formiga. E se fez muito pelo Santos, vira ídolo. Ótimo, muito obrigado.
Na quarta vez em que o pai foi mostrar quem era, não precisava mais.
"Já sei, pai. Aquele é o Formiga. Fez muito pelo Santos".
De certa forma, aquilo ficou na mente. Era estranho ver Formiga à frente de outro clube que não fosse o Santos. Mais estranho ainda era vê-lo enfrentando o Santos. Vê-lo como treinador do Santos era como estar próximo de alguém da família. Havia uma química, uma proximidade pessoa/clube.
Formiga parou de treinar. Continuou a trabalhar no Santos. Ajudava a captar talentos. E a lembrança permaneceu.
"Aquele é o Chico Formiga".
O garoto foi fazer o que era legal. Ser repórter e trabalhar no futebol. Só que o tempo havia passado, as idades avançado e chegou a hora de Formiga partir. E do repórter dar a notícia. Não só ao público, como ao presidente do Santos.
Seo Chico se foi. As lembranças ficam. Hoje não dá mais para o torcedor ver os treinos aos sábados. Mas nada vai tirar da memória a hora em que ele passava.
Porque aquele ali era o Chico Formiga...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Frio, chuva, graça

O 14 de maio de 2012 nasceu com a mesma cara do 14 de maio de 2001.
Uma segunda-feira fria, chuvosa, sem graça.
O 14 de maio de 2012 nasceu muito diferente do 14 de maio de 2001.
Uma segunda-feira fria, chuvosa e com fortíssimas lembranças dos fatos ocorridos domingo, no Morumbi.
E a diferença a partir daí passa a ser brutal.
A Rádio Bandeirantes entrevistou um garoto nascido em 2000.
Ele tinha um ano de idade e fatalmente não lembra do 13 de maio de 2001.
Não tem ideia do que passou quem viu o chute de Ricardinho entrando no gol de Fábio Costa, no jogo que simbolizou o marasmo.
Porque aos 12 anos, no dia 13 de maio de 2012, ele acompanhou in loco mais uma conquista, a que simbolizou a chamada "rotina de títulos".
Ele tinha 2 anos quando as pedaladas surgiram. Tinha 4 na conquista do segundo título nacional. Aos 6, viu a quebra do tabu em estaduais. Aos 7, comemorou o bi regional. E dos 10 aos 12 foram três estaduais, uma Copa do Brasil e uma Libertadores.
Sim, uma Libertadores e três estaduais seguidos.
A rotina desse garoto é muito diferente de perder um brasileiro aos 6 anos, ganhar um paulista aos 7 e viver ou tentar conviver sem nada por anos e anos.
Muito diferente de ouvir as desculpas, as histórias, o "ah, mas..."
"Ah, mas teve o melhor de todos".
"Ah, mas é bi mundial".
"Ah, mas parou uma guerra".
Ah, mas levou um couro no clássico, não chegou na decisão, ficou feliz porque venceu um grande, carimbou a faixa do campeão mesmo sem saber o que é ser campeão, viu os adversários levantando taças, viu a torcida adversária crescer...
Esse garoto é feliz. O 14 de maio é feliz, a realidade é feliz.
Não é um título para justificar tudo. É uma rotina de títulos e decisões.
Não é o passado. É o presente.
Não é o que o time fez. É o que faz.
É mudar a história de uma geração, é criar uma geração nova, é proporcionar um déja vù a quem já tinha visto.
É colocar graça em uma manhã fria e chuvosa...

sábado, 12 de maio de 2012

Hoje sim

Manhã de 12 de maio de 2002.
Com apenas 10 dias de jornal, parti para a cobertura dos 10KM Tribuna FM.
Uma pauta tranquila: procurar as figuras que participam da prova fantasiadas, conseguir fotos exóticas. Mostrar a prova por um lado mais leve.
Foi fácil também porque esse tipo de matéria se faz na concentração, antes da largada.
Ou seja, depois da largada, eu só tinha que voltar para a redação e escrever a matéria.
E a largada era na porta do jornal.
Ou seja, a vida estava fácil.
Ao subir, encontrei a redação praticamente vazia.
Na verdade, só estava lá o Duda, contínuo, gente boníssima.
Estava concentrado em uma das televisões.
Porque Rubens Barrichello liderava o GP da Áustria.
Minutos depois, começamos a rir.
Um riso que não vinha propriamente do bom humor, mas da raiva, indignação.
Não por ser um brazuca, mas pelo fato em si.
Foi há exatos 10 anos.
O Duda lembra bem desse dia.
O mundo jamais o esqueceu...


terça-feira, 8 de maio de 2012

Gilles Villeneuve, 30 anos

Lá se vão 30 anos sem Gilles Villeneuve, lembrou o brilhante Reginaldo Leme.
Reginaldo divulgou uma foto no Twitter em que entrevistava o piloto e lembrou da loucura que foi aquele fim de semana in loco para ele.
Pra nós da banda de cá, ficam as imagens (fortes, por sinal).
Os 30 anos em 15 segundos, nada mais...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Parabéns, Guarani!

Faltavam dois dias para o primeiro confronto entre Santos e Guarani pelas finais do Campeonato Paulista. O apelo jornalístico da decisão levou-me a Campinas, mais precisamente ao reduto bugrino, para contar a história pelo lado verde da decisão, o aque particularmente sempre considerei muito interessante.
Eis que se não quando, enquanto o Guarani se preparava para treinar em seu belíssimo estádio, surge um tal de Amoroso, já ouviu falar?? É um cara que jogou um pouquinho só, quase nada. Digamos que é mais um injustiçado por não ter ido a uma Copa do Mundo, por exemplo. Amoroso era o Neymar de 1994, quando só se falava nele. Deu azar de sofrer uma contusão no joelho. Teve tempo para brilhar aqui e na Europa.
Em suma, era craque. Jogava muito.
Além de tudo é gente boa. Bem-humorado, de boa conversa. Perguntei sobre marcação em Neymar, se é que isso é possível e a resposta dele foi.
"Tem que tentar parar na bola, nada de violência. Se não der pra parar na bola, deixa o menino jogar que o Brasil agradece".
No mesmo dia, Oswaldo Alvarez, técnico do Guarani, prometeu que o time dele faria quase tudo para evitar que Neymar brilhasse. Só não iria bater.
Pois chegou o domingo, o Guarani não bateu e Neymar marcou dois gols, fora algumas jogadas e arrancadas características dele.
Neymar fez o que sabe. E Vadão cumpriu a promessa. O Guarani não bateu. Chegou junto, chegou duro, o que é normal, faz parte desse planeta chamado Bola. Bater, jamais. E teve volume de jogo, sobretudo no primeiro tempo. Não deu sufoco, não criou a chamada "real chance de gol". Mas foi bem, muito bem. Marcou, não deixou o Santos jogar no primeiro tempo. O primeiro gol santista só saiu porque PH Ganso acertou um chute de fora da área. Entrar na área não dava. O Bugre tentou manter o mesmo sistema no segundo tempo, mas o primeiro gol de Neymar quebrou qualquer esquema.
E mesmo perdendo por 3 a 0, sem fôlego nem forças para tentar diminuir o prejuízo, o Guarani não bateu, não apelou.
Uma atitude que começou em um treinador de extremo caráter como Vadão e passou por um time formado por jogadores dispostos a mostrar que têm talento, que podem ir longe, que sabem jogar.
O Guarani perdeu com dignidade, sem apelar, sem ser humilhado. Está de parabéns por reerguer o nome de um clube que tantos jogadores espetaculares já revelou, que sempre deu trabalho aos chamados gigantes. Um bom perdedor, composto por jogadores que logo se mostrarão excelentes vencedores...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O árbitro? Esqueci...

E quem está ligando para a arbitragem??
Neymar deu espetáculo (mais um), marcou três, pediu música, homenageou o Juary, trocou uma ideia com a Marília...
O árbitro? Que árbitro? 
O Santos venceu, quem liga para o árbitro?
Não se fala do árbitro quando o time vence por 3 a 1, mesmo que esse 1 tenha saído em um impedimento de seu autor.
Difícil de ser marcado, sujeito a erros pela velocidade do lance, mas um impedimento.
E quando a placar de 2 a 0 passou a ser 2 a 1.
As redes sociais bombaram. O árbitro e sua família foram devidamente homenageados.
Mas veio o terceiro gol. Acabou, esquece o árbitro.
O time do 1 não vai esquecer.
Considerou absurdo o pênalti do primeiro gol do time do 3.
Lance discutível, dá dupla interpretação. Dá para achar que o zagueiro foi na bola e dá para achar que foi na perna do atacante.
De onde o árbitro estava, a visão foi de falta. Eu, se estivesse onde ele estava, daria.
Parando a imagem, voltando, é uma coisa. Na hora, em velocidade e sem replay é outra.
O 3 poderia virar 4, mas dizem que o árbitro deu um impedimento absurdo. 
Mas quem está ligando para o árbitro se o time venceu?
Esquece o árbitro.
Não seria esquecido se a vitória não viesse.
Não será esquecido pelos responsáveis pelas escalações dos árbitros.
Porque não foi a primeira do árbitro, não será a última.
As duas torcidas reclamam. Roubando, definitivamente ele não estava. Aí está a prova.
Mas continuará a ser escalado.
Porque sim.
Há 12 anos (12, eu disse 12) Márcio Santos pegou a bola com as mãos porque o árbitro tinha marcado falta. 
O árbitro deu pênalti contra o time de Márcio Santos, porque alegou ter mandado o jogo seguir.
Ele tinha apitado falta, ficou claro, nítido.
Trapalhada. E riem de Márcio Santos até hoje.
Acha que acabou? Que nada, continua, continuará.
Mas o time venceu.
Quem liga para o árbitro?

domingo, 29 de abril de 2012

Na Indy, de novo, outra vez

Fim de semana dedicado àquela desaparecida física e presença virtual básicas.
Estamos no Anhembi, para a SP Indy 300.
Tal e qual na Fórmula 1, você abandona questões secundárias como casa, família, vida social, para virar dias inteiros entre pista, boxes, pit lane, garagem, sala de Imprensa, café.
E achando tudo isso o máximo.
Porque na verdade é o máximo.
Cansativo, aborrecedor e extremamente gratificante.
Um pouco mais na Indy.
Porque na Indy não tem frescura, não tem proibição, não tem "não pode".
Sem abusos, nem interferências, tudo pode.
Pode chegar perto dos pilotos, pode ver os mecânicos trabalhando nos carros, pode circular por um paddock aberto, a poucos metros dos boxes.
A equipe não dá 5 minutos para o brazuca conceder entrevista em português. A organização reúne os brasileiros em uma coletiva e por vezes você fala com um deles na saída. E são todos solícitos. Sabem da importância de você estar ali. Atendem a todos da mesma maneira. Não privilegiam ninguém.
E evidente que o Grupo Brandeirantes goza de alguns privilégios. Nada mais justo, o evento é deles. Não fosse por eles e nada aconteceria. Estão no direito deles, nada a questionar.
Tem quem não valorize, seja a categoria ou o evento em si. É da vida, não dá para agradar a todo mundo.
Estou feliz. Quase pegando no sono, por incrível que pareça, mas feliz...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tempo curto

Jamais gostei da rotina.
Não nasci para fazer as coisas todos os dias no mesmo horário.
Teria problemas se trabalhasse das 8 às 12h e das 14 às 18h de segunda a sexta.
Fatalmente começaria a fazer as mesmas coisas nas horas livres.
Não haveria mais sentido nas coisas. Seriam feitas por osmose.
Prefiro o inesperado, as mudanças radicais e repentinas, as alterações nas programações.
Mas o preço é alto.
A Fórmula 1 chegou à quarta etapa e somente em uma houve um post correspondente neste espaço.
No GP da Malásia, as voltas finais foram vistas em lugar incerto e não sabido. Ou melhor, certo, sabido e não revelado.
Enquanto Rosberguinho vencia na China, a rota em direção ao aeroporto estava sendo elaborada.
Enfim, o ano tem alguns fatores especiais, que esgotaram com as horas dedicadas às pistas.
Continuo com a opinião de que não dá para cravar muita coisa.
O triunfo Mercediano em Xangai mostrou-se mais um lapso do que o retorno triunfante de Ross Brown. Mas prefiro aguardar a abertura da temporada europeia, com pistas conhecidas.
O mesmo vale para a vitória de Sebastian Vettel em Sakhir.
Não há como cravar se o alemãozinho voltou. A corrida foi vencida por quem soube estabelecer a melhor estratégia com os pneus.
Foram quatro etapas e há temporadas em que quatro etapas determinam como será o campeonato.
Não é o caso de 2012.
Porque ninguém sobressai. Tivemos quatro vencedores diferentes. Não há um domínio.
Agora sim, a coia toda começa. É na Europa, no quintal de mutia gente.
O que vamos observar:
1 - Vettel ainda é o mesmo? E a Red Bull?
2 - A Mercedes evoluiu ou mandou bem na China e só?
3 - Até quando a Ferrari aguentará Felipe Massa? O carro é ruim, Fernando Alonso venceu uma e tem andando muito na frente do brazuca.
Enquanto isso, vamos ao Anhembi cobrir a Fórmula Indy. Sem estrelismos, sem frescuras, com maior equilíbrio.
E que a chuva dê sossego neste ano...

sábado, 14 de abril de 2012

Feliz Aniversário

O garoto ficava assustado ao ver o pai gritar.
Muito assustado.
Chegava a torcer para a bola não entrar.
Era o pai motivado por uma partida de futebol. Uma das raríssimas transmissões para a praça onde era realizado.
Era um jogo em Santos, no Estádio Urbano Caldeira, ao mesmo tempo sendo mostrado na televisão do apartamento no Bairro Aparecida.
Era o Santos em campo.
O garoto não entendia, mas de alguma forma aquilo tudo mexia com o pai contido, discreto, elegante, que não expunha e dificilmente iria expor seus sentimentos.
Nunca foi obrigado a gostar daquele esporte que consistia em colocar 22 marmanjos atrás de uma bola e quem conseguisse acertar aquele retângulo branco ficava feliz. Muito menos foi forçado a gostar daquele time que ora vestia branco ora listrado em branco e preto e para quem as coisas pareciam difíceis, trabalhosas, mas que quando conquistadas davam um orgulho e uma felicidade indescritíveis.
Podem ter sido as manhãs de sábado dedicadas a ver os treinos in loco. Poder estar perto daqueles jogadores só vistos pela televisão, entrevistado por repórteres que eram de carne e osso e estavam ali, a centímetros de distância. Dificilmente foi a primeira partida acompanhada no estádio, quando o medo dos fogos de artifício disparados da arquibancada desviou a atenção do garoto e possivelmente do goleiro Marola, que, quando enfim localizado pelos olhos do garoto, buscava a bola no fundo das redes no gol de empate do Botafogo de Ribeirão Preto.
"Aí...não presta atenção", disse o torcedor ao lado.
Falava de Marola e, sem querer, falava do garoto.
Não foi fácil ao garoto atravessar os 90 minutos da semifinal do Campeonato Brasileiro de 1983. O Atlético Mineiro tinha um time maravilhoso e a partida era no Mineirão. O Santos se defendeu como pôde. O alento veio com a expulsão de Reinaldo. O alívio, quando a partida terminou. Claro que o Flamengo era melhor, mas o Santos tinha Serginho, aquele mesmo atacante que quando estava no São Paulo era odiado pelo garoto, por tantos gols que marcava no Santos. O mesmo Serginho que fez o pai do garoto ir à Vila Belmiro no dia de sua apresentação e ali, em meio à multidão e agora dando a mínima para os fogos, o garoto subiu no colo da tia para ver o futuro artilheiro de seu time ir embora em um Fiat 147.
O placar de 2 a 0 no Morumbi dava a certeza. O gol de Baltazar a tirou. Poderia pesar no Maracanã. Pesou. Estava 2 a 0 para o Flamengo e o garoto achando que dava para reverter. Ah, Adílio...deu o tiro me misericórdia aos 44 minutos do segundo tempo. Um chute no sofá simbolizou o sentimento. Não deu, não rolou, já era, Perdeu.
Mas quem liga? Foi no mesmo canto direito do sofá posicionado em frente à TV. Um pulo, um grito, mais pulos, pulos sem fim. Serginho havia marcado o gol. O Santos estava vencendo o Corinthians. O título paulista de 1984 havia chegado.
Depois dele, chegaram os anos seguintes. Derrotas, desesperança, amadorismo. Adolescência, competitividade, clássicos, vitórias, jogos decisivos, derrotas. Carimbar a faixa do campeão era suficiente.
Não, não era, mas tinha que parecer que era.
Algumas vitórias sobre o Corinthians, gol de voleio, Guga. Ser o único time a vencer o campeão Palmeiras no Brasileiro de 1993. Vencer por 1 a 0 o soberano São Paulo.
Sim, pensar pequeno. Não conseguir nada e achar que era feliz.
O dinheiro era curto. A presença no estádio, rara.
Derrota por 4 a 1 no Maracana.
"Já era, deu Fluminense".
Não, deu Giovanni.
"Agora ninguém tira".
Márcio Rezende de Freitas tira.
Aumenta a frequência no estádio. Frio, chuva, presença.
"Não posso ir hoje. Vai lá e cobre o dia do Santos"
Era manhã de sexta-feira. A Rádio Atlântica entraria com o programa de esportes no ar em 1h30. Fala o técnico Emerson Leão. Hira de gravar e reproduzir mais tarde, ao vivo para a rádio.
Jornalista. Repórter esportivo. Cobertura do Santos.
A partir de agora não se torce mais. Não tem cabimento. Não é profissional.
Curioso. Você não grita 'gol' e as coisas continuam como sempre estiveram. Legal esse negócio de ficar inerte ante a explosão de um estádio. Olha esses torcedores. Parecem uns bobos...iguais a mim, que até outro dia era mais um bobo ali em cima.
"Aê, repórter filho da puta! Tu deve ser corintiano!"
Meu Deus, torcedor pensa assim. O cara tem que falar bem do Santos a vida inteira.
E até outro dia eu era mais um bobo ali em cima.
Não se xinga mais o cara que perdeu o pênalti. Não se cobra mais o time que sai de campo derrotado. Se pergunta, para obter informações. Nada mais do que isso.
"Agora entrevisto o Robert. Outro dia estava na arquibancada e gritei por um gol dele".
Profissionalismo. Sorrir para a câmera da TV e gravar uma passagem dizendo que o Corinthians estava na final do Campeonato Paulista de 2001, que o gol do Ricardinho fez o Morumbi ruir.
Moído estava o repórter. Alegria fingida para a emissora que ia muito além de Santos e exigia a cobertura imparcial.
Imparcialidade exigia transmitir a notícia.
A notícia era a classificação do Corinthians.
E isso exigia sorrisos no gramado do Morumbi.
"Luciano. Acho que consigo sorrir por oito segundos. Liga a câmera e eu vou gravar a passagem de primeira. Se eu errar, vai sem passagem mesmo".
Foi. Com passagem.
Contar no jornal a construção de um título inimaginável naquele momento. Descrever a partida em que tudo aconteceu, até o inesperado: o dia da redenção. Sim, algumas lágrimas rolaram depois, às escondidas, longe de tudo e todos.
Só a geração de 2002 para provocar isso.
"Não, não vou comemorar esse título". E a buzina do Gol 97 preto ficou gasta com a comeoração do Brasileiro de 2004.
Alguns anos afastado do esporte. A taça veio de helicóptero.
O retorno. Ver o time campeão pela primeira vez in loco e logo uma Libertadores. Viagens ao exterior, oportunidades jamais pensadas, quase impossíveis de serem executadas em condições normais.
Obrigado, Santos Futebol Clube.
Vi 35% de sua vida. Espero ver e relatar muito mais.
Um feliz aniversário.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sempre

Toda vez que alguém discute um lance em que jogador tirou a bola da mão do goleiro e coisa e tal eu lembro disto.

http://www.youtube.com/watch?v=52oEPba1MOo